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Viva a churrascada brasileira! – 24/04/2025 – Cozinha Bruta

Notem que escolhi a palavra “churrascada”, não “churrasco”.

Isto porque não quero enaltecer aquilo que o brasileiro come no churrasco –tenho implicância, em particular, com o pão de alho cheio de margarina e glutamato.

Tampouco vou elogiar o método tradicional de churrasco no Brasil. Nada contra a maminha no espeto, gosto muito. Ocorre que, assim como muitos outros brasileiros, eu me inclino mais para o esquema argentino/uruguaio.

A ideia aqui é celebrar o evento social do churrasco brasileiro. Até onde sei, não existe nada semelhante alhures. É aquela festa que pode começar antes do meio-dia e entrar pela noite.

Nas gringas –refiro-me à quase totalidade dos países que têm algum tipo de culinária de brasa–, o churrasco caseiro é mais ou menos como se faz nos restaurantes.

O churrasqueiro trabalha solitário e uma hora anuncia geral: tá pronto. Aí todo mundo faz seus pratos, senta, come e encerra a refeição.

No Brasil é diferente.

A churrascada brasileira é uma festa em que a comida sai da grelha o tempo todo. Primeiro o pão de alho das crianças e afoitos. Depois linguiça, coração de galinha, asinha, queijo de coalho.

Quando começam a vir as carnes mais sérias, já há quem esteja quase empanturrado. As picanhas, fraldinhas e afins chegam fatiadas. Uns montam seus pratos com farofa, maionese, vinagrete, o escambau. Outros só vão petiscando em pé, enquanto bebem, conversam e dão risada.

A churrascada brasileira sempre tem aquele sujeito que leva cerveja barata e só toma cerveja mais cara,

Tem aquele cachorro safado que fica de mutuca, só esperando alguém vacilar com a carne. No final ele é sempre recompensado com tendões, gorduras e sobras frias.

Tem o cara que fica dando palpite para o churrasqueiro, mas não ajuda em nada. Tem o churrasqueiro que recusa qualquer ajuda e guarda para si o melhor da grelha, antes de liberar para a galera. Tem a churrasqueira, que pode ser de alvenaria, de lata ou só uns tijolos empilhados no chão.

Tem o amigo vegetariano que traz brócolis, quiabo e berinjela.

Tem o chato que bebe demais e fica ainda mais chato. Tem o bêbado que dá perda total e vai dormir num canto da casa.

Tem discussão por causa da trilha sonora, danças desajeitadas, contação de causos e, quando há espaço, aquele futebol embriagado de que pelo menos um vai sair contundido.

Por fim, tem aquela hora em que a turma está satisfeita, o churrasqueiro tira o avental e deixa a brasa esfriar. Aí todo mundo se reúne em volta de uma mesa e vai conversando por horas, até que alguém sugere preparar mais um petisco.

Aí começa tudo de novo.

No Dia do Churrasco, viva a churrascada brasileira!

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Autor: Folha

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