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Você realmente não tem tempo para os seus amigos? – 26/03/2026 – Equilíbrio

“Vamos marcar”. Quantas vezes dizemos isso da boca para fora e acabamos não concretizando um encontro com uma pessoa querida? Com o tempo, essa dificuldade de fazer acontecer tem um impacto direto na qualidade de vida.

Segundo uma pesquisa recente realizada pela ONG Family Talks em parceria com a consultoria Market Analysis, 40% dos brasileiros sentem solidão. Já o Relatório da Comissão sobre Conexão Social da Organização Mundial da Saúde de 2025 indica que uma em cada seis pessoas no mundo se sente só, o que impacta diretamente no bem-estar.

Dados como esses ajudam a entender por que o isolamento já vem sendo encarado pela OMS como uma questão de saúde pública. Diante dessa “epidemia” de isolamento, vale refletir: será que você está realmente sem tempo para cultivar amizades, ou precisa reorganizar as suas prioridades?

Por que você não tem visto seus amigos?

A rotina agitada, bem como as demandas profissionais e familiares costumam ser os principais (e mais óbvios) motivos. O excesso de notificações e demandas tecnológicas também contribui para o aumento da fadiga mental e emocional que faz com que, depois de um dia cheio, a gente só queira se jogar no sofá e descansar.

Mas a verdade é que construir e manter uma relação exige, sim, um certo nível de dedicação e esforço. Encontros presenciais são elementares para estreitar e manter laços. Um estudo do departamento de comunicação da Universidade do Kansas, nos Estados Unidos, calculou que é preciso de cerca de 200 horas de convívio para poder chamar alguém de “amigo próximo”. Mas esse é um empenho que costuma valer a pena.

Uma pesquisa realizada com mais de 270 mil pessoas em quase cem países descobriu que passar tempo com amigos tem um impacto significativo no bem-estar e na felicidade, muitas vezes maior do que o tempo gasto com a família. Esses momentos estão fortemente associados a níveis mais elevados de satisfação com a vida, pertencimento e suporte emocional.

Já o estudo de longo prazo Harvard Study of Adult Development revelou que pessoas com fortes laços sociais, como amizades próximas, tendem a viver mais e ter melhor saúde física ao longo da vida. Além de reduzirem o stress, as conexões genuínas diminuem o risco de doenças crônicas, como as cardíacas, e fortalecem o sistema imunológico.

Amizades no centro das relações

Engatar um namoro e esquecer das amizades: quem nunca? A nossa sociedade enxerga o casamento como a grande parceria da vida adulta, o que contribui para esse fenômeno tão comum. Mas, em tempos nos quais os divórcios são mais frequentes e acontecem cada vez mais cedo, segundo dados recentes do IBGE (2024), essa visão já não faz tanto sentido.

São os amigos que, geralmente, estão com a gente ao longo das diferentes fases da vida. Eles também são as pessoas que nos ajudam a lembrar quem realmente somos nos momentos mais difíceis. Então, nada mais justo do que valorizar essas relações como verdadeiras parcerias amorosas e investir tempo de qualidade nelas.

Vamos (mesmo) marcar?

Na correria da vida adulta, muitas vezes esquecemos de algo simples: propor um encontro com data, lugar e hora. Seus amigos andam sumidos? Em vez de ficar esperando algum convite chegar, tome a iniciativa. Esse é um dos ensinamentos do livro” The Joy of Connections”, de Ruth Westheimer, a famosa terapeuta sexual que acabou se tornando uma embaixadora contra a solidão nos Estados Unidos.

Segundo Kasley Killam, cientista social e autora de “Saúde Social: A Arte e a Ciência da Conexão Humana” (Ed. Amarilys), a estratégia mais eficiente para vencer os impasses da vida social é colocar as amizades no “piloto automático”, agendando encontros regulares. Por exemplo: se reunir no parque aos domingos. O mesmo vale para as chamadas de vídeo com os amigos que moram longe.

No fim das contas, para estar com as pessoas que realmente importam, não é necessário esperar ou uma ocasião formal ou pensar em programas mirabolantes. Lembra como, na infância e na adolescência, você se juntava com a turma para simplesmente fazer nada? Ou qualquer coisa?

Na vida adulta, a gente sente que os encontros precisam acontecer em datas especiais ou ter um propósito claro: jantar, tomar café, ir ao cinema. Isso traz uma camada extra de complicação, que contribui para adiar os encontros. Que tal chamar os amigos quando der vontade de se ver, sem grandes planos?

Autor: Folha

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