Apontado pela Polícia Federal como operador do banqueiro Daniel Vorcaro em uma milícia privada, Luiz Phillipi Mourão, 43, é um velho conhecido da polícia de Minas Gerais. Além de passagens por furto e estelionato, ele é réu desde 2021 em um processo criminal, acusado de chefiar um esquema de pirâmide financeira.
Mourão foi um dos presos nesta quarta-feira (4) em nova fase da Operação Compliance Zero. Apelidado de “Sicário”, foi identificado pela PF como operador central de um grupo chamado “A Turma”, sendo responsável por coordenar atividades voltadas à obtenção de informações e monitoramento de pessoas de interesse do banqueiro.
Conduzido a uma cela da Superintendência da Polícia Federal de Minas Gerais, Mourão tentou suicídio horas depois de ser preso. Ele foi socorrido e levado ao hospital.
Foi com ele que Vorcaro trocou mensagens sobre uma tentativa de intimidar o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, por meio de um assalto, além de outras conversas envolvendo ameaça e agressões a desafetos. Mourão, segundo a PF, seria o responsável por executar essas condutas, tendo inclusive acesso a bases de dados restritas de órgãos públicos nacionais e internacionais.
Em nota, a defesa disse que os fatos imputados a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão não correspondem à realidade e serão devidamente esclarecidos tão logo a defesa tenha acesso integral aos autos da investigação.
Em Minas Gerais, onde é conhecido pelo apelido de “Mexerica”, Mourão tem passagem pelos crimes de furto qualificado, estelionato, associação criminosa, falsificação de documento público, organização criminosa e crimes contra a economia popular, segundo policiais ouvidos pela Folha.
Os crimes pelos quais ele tem registro não são considerados violentos. Para a Polícia de Minas Gerais, o perfil de Mourão é mais de um golpista —diferentemente do perfil agressivo que consta nos relatórios que motivaram a prisão dele nesta quarta.
Segundo policiais, ele é conhecido por ser agiota e envolvido em esquemas de pirâmide relacionados a investimentos falsos e de compra e venda de veículos usados. Há indícios de que também integra organização criminosa com ramificações em jogos do bicho e apostas ilegais, envolvendo inclusive criminosos e policiais.
Mourão também teria amizades influentes na polícia mineira e em outras esferas de poder.
Além dos registros policiais, Luiz Phillipi Mourão é réu desde 2021 por crime contra a economia popular, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo denúncia da Promotoria de Minas obtida pela Folha, Mourão atuou como um dos chefes e articuladores de um esquema de pirâmide financeira.
O processo corre na 5ª Vara Criminal de Belo Horizonte e ainda não foi julgado. De acordo com os procuradores, o esquema teria começado em 2017 e envolvia anúncios de investimentos com promessas de lucros exorbitantes para atrair interessados em compra e venda de títulos, ações e quotas.
Outras dez pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público como integrantes do esquema, incluindo a mãe e a irmã de Mourão.
Sobre essas acusações, a defesa de Luiz Phillipi Mourão diz que o processo ainda está em curso e que acredita que ao final será provada sua inocência.
De acordo com a denúncia, Mourão usava uma de suas empresas, a King Motors Locação de Veículos e Participações —da qual é proprietário e único administrador— para ocultar e dissimular os recursos obtidos no esquema de pirâmide.
O documento cita relatório do Coaf que aponta movimentações suspeitas por meio da King Motors, incluindo a transação de R$ 3,3 milhões meses depois da fundação da empresa, em abril de 2020.
Mourão também é sócio de outra empresa de nome similar, a King Participações Imobiliárias. A decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, que autorizou a operação desta quarta, cita o uso das duas companhias para pagamentos ilícitos de Vorcaro aos integrantes da “Turma”.
Autor: Folha








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