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WhatsApp: Queda de Orbán divide direita e anima esquerda – 13/04/2026 – Encaminhado com Frequência

No domingo (12), Viktor Orbán perdeu as eleições na Hungria após 16 anos no poder. A votação teve participação recorde de mais de 77% dos eleitores e uma supermaioria para o partido vencedor, o que permite alterar a Constituição. Orbán admitiu a derrota ainda na noite do domingo.

O resultado coloca em xeque a extensão da influência norte-americana em eleições pelo mundo e tem ressonância direta no Brasil, porque Orbán era uma referência central para o bolsonarismo. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) já o chamou de irmão. Em novembro do ano passado, quando viajou a Washington para se encontrar com presidente dos Estado Unidos, Donald Trump, Orbán publicou nas redes que estava “firmemente ao lado dos Bolsonaros nestes tempos difíceis”.

Na semana passada, o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, viajou a Budapeste para participar de um comício ao lado de Orbán. E, como aconteceu nas eleições argentinas no ano passado, Trump chegou a prometer ajuda econômica à Hungria caso o aliado fosse reeleito.

Nos grupos de WhatsApp monitorados pela Palver nos últimos 15 dias, Vance não tem uma única mensagem positiva nas menções exclusivas a ele no contexto da eleição húngara. Trump concentra rejeição em mais de 70% das mensagens no período. Orbán, com 91% de rejeição nas mensagens, é lido majoritariamente pela chave da ligação com Bolsonaro. A derrota é associada ao enfraquecimento da rede internacional de direita e sinal para outubro.

Nos grupos de esquerda, o resultado na Hungria aumentou o moral sobretudo em relação a Trump. A narrativa que circula é a de que o apoio americano não é garantia de vitória e que participação recorde derruba qualquer maquinaria institucional. “Olha aí, Flávio. A Hungria derrotou o Viktor Órban. O Bolsonaro adora o Órban. Mais um discípulo de Trump derrotado. Em outubro, nós vamos derrotar a família Bolsonaro, viu? Se prepara”, diz uma mensagem que circulou em múltiplos grupos.

Nos grupos bolsonaristas, a derrota é lida como captura externa da elite global: “A Organização Soros se apossou da Hungria” circula em mensagens que enquadram o resultado como mais uma vitória do globalismo sobre a soberania nacional. Essa narrativa tenta separar o modelo de governo de Orbán do resultado eleitoral. Parte desses mesmos grupos também disputa o significado do vencedor: “Péter Magyar, que ganhou do Orbán, é de direita, e os ‘esquerdoasnos’ comemorando. Bom demais ver esses analfabetos políticos”. O abalo moral não aparece explicitamente nas mensagens. O que aparece é a pressa em encaixar o resultado numa narrativa que preserve a coerência do campo.

Para o bolsonarismo mais raiz, a derrota retira uma referência e deixa uma pergunta sem resposta fácil. O modelo húngaro era a prova de que é possível concentrar poder de forma gradual sem perder a legitimidade eleitoral. Agora esse modelo tem uma derrota registrada, com participação recorde e supermaioria para o adversário, mesmo com o peso de Trump e Vance do lado do derrotado.

O apoio americano explícito não salvou Orbán e, na verdade, pode ter contribuído para mobilizar o campo contrário. O Brasil já tem um dado concreto nessa direção: as tensões em torno do tarifaço americano no ano passado mostraram que a proximidade com Washington pode gerar desgaste interno na direita e fortalecer Lula (PT). Se Trump decidir apoiar abertamente Flávio Bolsonaro (PL) em outubro, esse apoio pode chegar mais como um ativo nas mãos do campo petista do que como impulso para o candidato que pretende ajudar.


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Autor: Folha

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