
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quer que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, seja o próximo secretário-geral da ONU, segundo reportagem publicada nesta terça-feira (21) pelo jornal The New York Post.
Uma fonte próxima ao presidente disse ao jornal nova-iorquino, de linha editorial pró-Trump, que o mandatário republicano acredita que Infantino “é respeitado por todos ao redor do mundo e reconhece que ele possui uma habilidade especial para unir as pessoas”.
Paolo Zampolli, empresário e diplomata ítalo-americano que atua como enviado especial de Trump para parcerias globais, disse ao New York Post que “apenas o presidente Trump poderia ter uma ideia tão genial” e que “existe certa semelhança” entre os cargos de presidente da Fifa e de secretário-geral da ONU.
“Nas Nações Unidas, é preciso lidar com 193 Estados-membros. Na Fifa, são mais de 200 membros [e] o excelente histórico de Gianni demonstra que ele sabe como administrar”, alegou Zampolli, que é amigo de Infantino.
Infantino se aproximou de Trump desde que este voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025. No final do ano passado, ele criou o Prêmio da Paz da Fifa para homenagear o presidente americano após este ter sido esnobado pelo comitê do Nobel da Paz.
Este mês, após telefonema de Trump a Infantino, o Comitê Disciplinar da Fifa concedeu um indulto ao atacante americano Folarin Balogun, que havia sido expulso em partida da segunda fase da Copa do Mundo contra a Bósnia-Herzegovina, e permitiu que ele atuasse no jogo contra a Bélgica pelas oitavas de final.
O presidente dos Estados Unidos admitiu que ligou para o mandatário da Fifa após a expulsão de Balogun, mas disse que apenas pediu para que o lance fosse revisado, não que o cartão vermelho fosse cancelado.
Diante dessa proximidade, a ONG FairSquare apresentou uma denúncia contra Infantino junto ao Comitê Olímpico Internacional (COI), do qual o presidente da Fifa faz parte, alegando que o dirigente esportivo “violou repetidamente as regras do COI sobre neutralidade política ao oferecer apoio político ao presidente dos EUA, Donald Trump”.
Não se sabe se Infantino tem interesse em ser o secretário-geral da ONU, mas ele teria que correr contra o tempo: seis candidatos para suceder no final do ano o português António Guterres realizarão nesta quinta-feira (23) um debate que será transmitido online.
Os nomes mais conhecidos na disputa são a ex-presidente chilena Michelle Bachelet e o argentino Rafael Grossi, atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
O novo secretário-geral precisa ser recomendado pelo Conselho de Segurança da ONU – do qual os Estados Unidos são um dos cinco membros permanentes, detendo poder de veto – para confirmação pela Assembleia Geral.
Autor: Gazeta do Povo








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