A Copa do Mundo com o maior número de seleções da história terminou neste domingo (19) como aquela com mais alto nível de interesse de buscas mundialmente desde 2004. Em relação à edição anterior do torceio, a Copa do Qatar, em 2022, o alcance foi quase o dobrou (94%), de acordo com dados do Google Trends.
A Guatemala –cuja seleção não se classificou– foi onde o assunto foi mais popular, proporcionalmente. Em relação aos países sede, o México foi onde a Copa gerou mais interesse. O Canadá teve 62% do interesse mexicano, enquanto os Estados Unidos teve pouco menos da metade, 47%.
Para o professor de marketing esportivo da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) Ivan Martinho, o cenário reflete tanto o planejamento da Fifa voltado a transformar a Copa no maior evento esportivo do mundo, trazendo mais países para a disputa, quanto uma mudança em relação ao papel do torneio.
“Historicamente, a Copa era um produto de transmissão, em que as pessoas assistiam aos jogos, depois comentavam, pintavam as ruas e torciam. Hoje é um evento de participação, as pessoas querem comentar nas redes sociais e fazer conteúdo e as marcas patrocinadoras entram nessas conversas. Não fica mais circunscrito ao jogo”, diz.
No Brasil, Martinho destaca que houve uma camada adicional de impulsionamento gerada pela transmissão fragmentada entre a TV Globo, SBT, Cazé TV no YouTube, canais por assinatura e streaming.
Embora tenha perdido a Copa e a disputa pela artilharia do torneio, foi o argentino Lionel Messi, 38, aquele que alcançou a maior média de interesse no Brasil, entre estrelas das cinco seleções que lideram o ranking da Fifa (Federação Internacional de Futebol) e outros destaques do torneio.
O pico de interesse em torno do jogador aconteceu na final de domingo (20), quando foi neutralizado pela Espanha e participou de poucos lances. Além dos oito gols, o papel decisivo nas assistências e passes nas disputas da seleção fizeram elevaram as pesquisas por seu nome.
Marinho afirma que o jogador exerce fascínio e passou por clubes que despertam interesse nos brasileiros. Assim como um último capítulo de novela, a participação no último mundial foi outro fator que canalizou a atenção em torno de Messi.
“Todo brasileiro gostaria que o Messi fosse brasileiro e jogasse para nós, não pela Argentina“, diz.
Depois de Messi, quem mais gerou interesse no Brasil foi o norueguês Erling Haaland, autor dos dois gols que eliminaram a seleção brasileira nas oitavas, adiando o hexa. Memes e curiosidades sobre o atacante contribuíram para mantê-lo em alta, ultrapassando Messi do momento em que a Noruega foi definida como rival do Brasil até a eliminação do país nas quartas pela Inglaterra, por 2 a 1.
Cristiano Ronaldo, 41, que assim como Messi disputava o sexto mundial, foi o terceiro jogador mais popular em buscas no Brasil. Assim como a Noruega, ele encerrou a participação nas quartas de final, quando a seleção de Portugal perdeu por 1 a 0 para a Espanha, que conquistou o bicampeonato pelo mesmo placar.
Na sequência, aparecem o francês Kylian Mbappé, 27, artilheiro da edição, com dez gols, e da história das Copas, com 22; e o espanhol Lamine Yamal, 19, que, além de chegar a final e vencer, gerou interesse tanto pelas buscas sobre a fotografia do banho recebido de Messi e pelas imagens do irmão Keyne, 3, que viralizaram ao longo do torneio.
A ponta buscas acabou ficando com o capitão inglês Harry Kane, 32, que terminou a Copa arrasado por perder a semifinal para a Argentina e sem entrar em campo na vitória sobre a França que deu ao time o terceiro lugar na Copa. A frente dele ficou o goleiro Vozinha, 40, de Cabo Verde, a estreante da Copa de 2026, que se tornou para muitos o nome revelado pelo mundial.
Autor: Folha








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