
Jovens católicos no Brasil estão sedentos por mais formação sobre a Igreja e afirmam que há uma ênfase excessiva em questões sociopolíticas, de acordo com a Pesquisa Nacional sobre Evangelização da Juventude, que entrevistou mais de 11 mil pessoas em todo o Brasil em 2025. Os dados foram recentemente apresentados em uma reunião do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
O relatório apresentou resultados parciais da pesquisa, realizada em 2025 pela Comissão Episcopal para a Juventude da CNBB em parceria com o Observatório da Juventude da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, a Cátedra UNESCO sobre Juventude, Educação e Sociedade, e o Departamento de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
Adolescentes e jovens adultos, com idades entre 12 e 29 anos e de todas as regiões do Brasil, participaram do estudo. Foi empregada uma metodologia não probabilística e voluntária, utilizando um questionário digital predominantemente quantitativo e autoaplicável, distribuído através dos canais de comunicação Jovens Conectados.
O estudo mostrou que santidade e fé cristã foram os tópicos de interesse mais frequentemente mencionados entre os participantes da pesquisa. Por outro lado, a falta de reverência pela liturgia e uma ênfase excessiva em questões sociopolíticas surgiram como os principais fatores que dificultam a participação dos entrevistados na vida de fé.
Patrícia Espíndola de Lima Teixeira, do Observatório da Juventude da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, que coordenou a pesquisa, disse ao ACI Digital, serviço irmão em língua portuguesa da EWTN News, que as descobertas “não são surpresa para aqueles que trabalham diretamente com jovens”.
“Temos uma geração que cresceu exposta a um enorme volume de conteúdo superficial, e essa é precisamente a hipótese para explicar por que tantos jovens demonstram uma sede por relacionamentos mais profundos que promovam a fé e um senso de propósito na vida”, disse ela.
A pesquisadora não vê uma divisão entre conservadores e progressistas nos resultados da pesquisa. “O que realizamos foi um estudo livre de noções preconcebidas, que revelou uma tensão pastoral a ser abraçada e refletida com maturidade e equilíbrio”, disse Teixeira. “Acredito que a Igreja está vivenciando chamados precisamente para isso: superar a polarização e viver a unidade mesmo em meio às nossas diferenças, no espírito de Pentecostes.”
“Gosto de recordar a imagem paulina do corpo e seus muitos membros (1 Cor 12,12-27): A Igreja é um só corpo, mas possui uma genuína pluralidade de dons, sensibilidades e experiências vividas, e essa diversidade deve ser vivida em comunhão”, continuou ela. “Esta é uma agenda que merece exploração consistente e aprofundada não apenas com os jovens, mas com todos.”
Segundo Layla Kamila, 29 anos, coordenadora da equipe de comunicação Jovens Conectados da Comissão Episcopal para a Juventude da CNBB e membro da equipe responsável pela Pesquisa Nacional sobre Evangelização da Juventude, o estudo demonstrou uma sede de autenticidade na fé.
O objetivo da pesquisa era ouvir os jovens e entender sua experiência de fé, disse ela. Os dados revelaram que muitos expressam um forte desejo de aprofundar suas vidas espirituais. Há interesse significativo em temas como santidade, palavra de Deus, Eucaristia, formação cristã e liturgia bem celebrada. Mais do que rótulos, os jovens desejam autenticidade, disse Kamila. Eles esperam encontrar uma Igreja que proclame Jesus Cristo claramente, ofereça caminhos para a formação, promova um encontro genuíno com Deus e os ajude a viver sua fé no mundo de hoje.
A coordenadora dos Jovens Conectados também avaliou o alto número de jovens que dizem estar cansados da politização dentro da Igreja. Kamila enfatizou que os dados devem ser analisados com calma, evitando interpretações isoladas. “Entre as percepções expressas pelos participantes, muitos manifestaram o desejo de encontrar uma Igreja profundamente centrada em Jesus Cristo, espiritualidade, liturgia e formação na fé”, disse Kamila. “Respostas abertas também revelam observações sobre o desejo de que a evangelização mantenha Cristo no centro.”
Ela esclareceu que “isso não significa diminuir a dimensão social da missão da Igreja. Muito pelo contrário. Proclamar o Evangelho e comprometer-se com a justiça, os pobres, a paz e a dignidade humana andam de mãos dadas.”
Tanto Teixeira quanto Kamila esperam que os dados apresentados no estudo sejam bem recebidos pelas comunidades católicas e pela liderança da Igreja. “Esta pesquisa nasceu do desejo de ouvir antes de propor caminhos a seguir, em harmonia com a jornada sinodal da Igreja”, disse Kamila. “Como o Papa Francisco nos lembrou tantas vezes: ‘Todos, todos, todos!'”
“Este chamado também inspira esta pesquisa: ouvir todos os jovens e abraçar suas experiências, alegrias, preocupações e sonhos, para que ninguém se sinta fora da vida da Igreja”, disse ela. “Esperamos que dioceses, paróquias, movimentos, novas comunidades e grupos pastorais acolham esses dados como uma ferramenta de discernimento pastoral capaz de fortalecer a evangelização dos jovens no Brasil. Afinal, por trás de cada número há uma história, um rosto, uma família e uma jornada de fé.”
Para Teixeira, “ouvir não relativiza a fé da Igreja, mas sim ajuda a refinar a maneira como proclamamos o Evangelho às novas gerações. Mais do que apenas um diagnóstico de dificuldades, a pesquisa revela jovens que desejam aprofundar sua fé, entender melhor a Igreja e encontrar caminhos sólidos de formação. É precisamente essa abertura que torna o cenário pastoral um de profunda esperança.”
©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: Brazil’s Catholic youth want more doctrine, a reverent liturgy, and less politics, survey finds
Autor: Gazeta do Povo








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