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Os melhores e os piores hábitos para o seu fígado – 27/07/2026 – Equilíbrio

O fígado é um órgão poderoso: ele filtra o sangue, ajuda a manter os níveis de açúcar, armazena energia e desempenha um papel essencial na digestão.

Uma alimentação inadequada, a falta de exercícios e outras condições de saúde podem contribuir para doenças hepáticas e câncer de fígado — ambos com incidência crescente em todo o mundo.

Muitas vezes, é possível prevenir doenças hepáticas, ou até mesmo revertê-las, apenas com mudanças na alimentação e no estilo de vida. Veja a seguir o que pode ajudar e quais hábitos podem causar danos.

Os piores hábitos

Consumir álcool em excesso

O consumo regular de álcool, a disfunção metabólica ou uma combinação de ambos podem contribuir para o que se chama de doença hepática esteatótica. A gordura se acumula no fígado e pode levar a inflamação, cicatrização e cirrose, afirma Zoubair Younossi, chefe do Centro Global de Resultados e Pesquisa de Políticas Hepáticas da Faculdade de Medicina da Universidade de Georgetown.

Em pessoas com problemas metabólicos, como diabetes tipo 2, pressão alta ou excesso de gordura abdominal, o consumo moderado de álcool pode agravar os danos ao fígado, diz Younossi. O consumo excessivo episódico — conhecido como “binge drinking” (ingerir cinco ou mais doses em uma única ocasião) — é o mais prejudicial.

Para pessoas com doença hepática avançada, os médicos recomendam evitar totalmente o álcool. No entanto, em casos de doença leve ou na ausência dela, o consumo de até uma dose por dia pode ser aceitável — embora o ideal seja não consumir nada —, diz Dra. Mary Rinella, diretora da área de doenças metabólicas e hepáticas gordurosas da Universidade de Chicago.

Exagerar no açúcar

O açúcar é um componente fundamental para a formação de gordura no fígado. Com o excesso, “o mecanismo fica sobrecarregado” e as células do fígado sofrem estresse, explica Rinella. A resistência à insulina, que pode ocorrer com o consumo crônico e excessivo de açúcar, também contribui para o acúmulo de gordura no fígado.

Há muitas evidências ligando o alto consumo de açúcar — especialmente o proveniente de bebidas açucaradas — à doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, afirma Shira Zelber-Sagi, nutricionista clínica e pesquisadora de saúde pública da Universidade de Haifa, em Israel.

Açúcares adicionados, como o xarope de milho rico em frutose — presente em muitos alimentos ultraprocessados e refrigerantes —, são particularmente prejudiciais ao fígado. As diretrizes recomendam que as mulheres consumam no máximo 25 gramas e os homens, no máximo 36 gramas de açúcar adicionado por dia.

Zelber-Sagi diz aos pacientes que eles podem comer uma fatia de bolo ocasionalmente, mas devem evitar totalmente bebidas adoçadas com açúcar. “Isso cria um hábito muito forte e não precisamos disso”, disse ela.

Depender de suplementos

Dawn Anderson, nutricionista clínica da Virginia Commonwealth University, diz que os pacientes frequentemente perguntam sobre limpezas hepáticas, desintoxicações e suplementos como cardo-mariano e café com cogumelos.

Há poucas evidências de que esses produtos não regulamentados tragam benefícios ao fígado, afirmaram especialistas.

“Seu fígado já é o sistema de desintoxicação do seu corpo. Ele não precisa de uma limpeza”, diz Anderson. Além disso, esses produtos podem causar danos se contiverem ingredientes desconhecidos ou quantidades excessivas de certos ingredientes.

Os melhores hábitos

Praticar exercícios e manter um peso saudável

Perder peso pode ajudar a reduzir o acúmulo de gordura, a inflamação e a cicatrização (fibrose) no fígado. Uma redução de apenas 3% no peso corporal pode melhorar os marcadores de saúde do fígado, mas é necessária uma perda de 10% ou mais para reverter a cicatrização.

Medicamentos da classe GLP-1, como o Wegovy — aprovados para tratar um tipo avançado de doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica —, representaram uma “mudança de paradigma”, disse Zelber-Sagi. No entanto, eles devem ser usados em conjunto com exercícios, especialmente o treinamento de força, pois a perda de massa muscular pode piorar os resultados em pessoas com a condição.

Praticar pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica e fazer treinamento de força duas vezes por semana ajuda a reduzir a gordura abdominal e a resistência à insulina, afirma Zelber-Sagi.

Adotar uma dieta de estilo mediterrâneo

A dieta mediterrânea — que se baseia em frutas frescas, vegetais, peixes e leguminosas, sendo rica em gorduras saudáveis — demonstrou reduzir o risco de doenças cardiovasculares, uma das principais causas de morte em pessoas com doença hepática não alcoólica. Ela é pobre em gorduras saturadas — encontradas na carne vermelha, laticínios e óleo de palma —, as quais podem aumentar a gordura no fígado.

No entanto, os especialistas reconhecem que nem sempre é prático seguir a dieta à risca. Anderson observou que, embora muitos de seus pacientes sigam a dieta tradicional do sul dos EUA, eles podem incorporar elementos mediterrâneos. “Podemos incluir couve, repolho, talvez abobrinha de verão, pepino e salada de cebola”, diz ela.

Para a ingestão de proteínas, ela sugere adicionar peixe ou carnes brancas e reduzir o consumo de cortes gordos de carne vermelha. Ela também incentiva as pessoas a grelhar os alimentos, em vez de fritá-los, e a usar manteiga apenas para dar sabor.

Por fim, estudos com animais demonstraram que o café (até quatro xícaras por dia) reduz o acúmulo de gordura e a formação de cicatrizes no fígado; em humanos, o consumo está associado a um menor risco de cirrose, afirma Rinella.

Manter-se atualizado sobre a atenção primária

As hepatites B e C são causas importantes de doenças hepáticas em todo o mundo. Todos os adultos devem fazer o exame de rastreamento para hepatite C pelo menos uma vez e ser vacinados contra a hepatite B, caso não tenham recebido a vacina quando bebês, afirma Rinella.

Médicos de atenção primária podem realizar esses exames de rastreamento. Eles também podem avaliar o risco de doença hepática com base em resultados de exames laboratoriais de rotina.

Se você tem diabetes tipo 2, deve conversar com seu médico sobre a realização de um exame para medir a rigidez do fígado, o qual pode indicar a progressão de uma doença hepática.

Autor: Folha

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