A reforma tributária introduz o split payment, mecanismo que retira impostos automaticamente no momento da venda. A medida visa combater a sonegação, mas gera preocupação entre empresários pela perda imediata de capital de giro e o possível aumento do endividamento para manter operações.
O que é o split payment e como ele funciona na prática?
É um sistema de pagamento eletrônico que divide o dinheiro no exato momento da venda. Quando um cliente paga por Pix ou cartão, o valor relativo aos impostos (IBS e CBS) é enviado diretamente para o governo. O restante do dinheiro cai na conta do vendedor. Atualmente, as empresas recebem o valor total e pagam o imposto apenas semanas depois, usando esse intervalo para financiar custos do dia a dia.
Como a mudança afeta o fluxo de caixa dos negócios?
O principal impacto é a perda do capital de giro. Muitas empresas usam o dinheiro do imposto que ainda não foi recolhido para pagar fornecedores e salários. Com a retirada antecipada, essa ‘folga’ some. Se a empresa não tiver reservas próprias, precisará buscar empréstimos bancários. Isso pode aumentar os custos financeiros do negócio, que acabam sendo repassados para o preço final pago pelo consumidor.
A empresa pagará imposto sobre o valor total da venda?
Não exatamente. O sistema permite descontar os créditos tributários, que são os impostos que a empresa já pagou ao comprar de seus fornecedores. Por exemplo, se uma venda gera R$ 280 de imposto, mas a empresa tem R$ 180 em créditos, apenas R$ 100 serão retidos. Se não for possível verificar esses créditos na hora, o governo retém o valor total e promete devolver o excesso em até três dias úteis.
Quais setores serão os mais prejudicados pela medida?
Especialistas e entidades como a CNC e a FecomercioSP alertam que o impacto será maior em empresas com margens de lucro pequenas, ciclos financeiros longos e que movimentam grandes volumes de mercadorias. Negócios que precisam pagar fornecedores antes de receber dos clientes sentirão a pressão de forma mais intensa, correndo o risco de ficarem no vermelho.
As empresas do Simples Nacional também entram na regra?
Em regra, as empresas que optarem por permanecer no regime unificado do Simples Nacional ficarão fora dessa retenção automática no momento da venda. No entanto, há um alerta sobre competitividade: os créditos de impostos que elas geram para seus compradores podem ser menores do que os de fornecedores do regime regular, o que pode desestimular grandes empresas a comprarem de pequenos negócios.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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Autor: Gazeta do Povo



















