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Boom de IA distorce dados e pode levar a erros na política monetária, alerta BIS – 28/07/2026 – Tec

O boom da IA está distorcendo os sinais econômicos nos quais os bancos centrais se baseiam para definir a política monetária, aumentando o risco de cometerem erros prejudiciais, alertaram economistas do BIS (Banco de Compensações Internacionais).

Funcionários da organização sediada na Basileia, que assessora os bancos centrais do mundo, afirmaram que o efeito da IA sobre investimentos, comércio e preços de ativos era poderoso o suficiente “para moldar as perspectivas globais em tempo real”, sustentando o crescimento diante de tensões comerciais e choques geopolíticos.

Esses efeitos agora são “grandes e destacados” e podem aumentar as pressões sobre os preços, disseram eles, observando que os gastos com data centers e instalações de fabricação de TI nos EUA subiram para 0,8% do PIB (Produto Interno Bruto), enquanto o efeito riqueza dos ganhos nos preços das ações está impulsionando os consumidores.

A IA também poderia ter efeitos desinflacionários, no entanto, caso melhorasse a produtividade —ou se preocupações com perdas de empregos relacionadas à IA reduzissem os gastos e diminuíssem o poder de barganha dos trabalhadores.

Avaliar a extensão e o momento desses efeitos são desafios para os bancos centrais, alertaram os economistas do BIS, porque o forte crescimento do PIB pode simplesmente refletir o boom temporário de investimentos e os efeitos riqueza, enquanto ganhos de produtividade mais duradouros são “incertos e difíceis de medir”.

“A força relativa e o momento dessas forças permanecem incertos”, comentaram os economistas em uma análise publicada no último boletim mensal do BIS nesta terça-feira (28), acrescentando que “efeitos inflacionários de curto prazo podem já estar surgindo”, enquanto “efeitos desinflacionários provavelmente surgirão de forma mais gradual”.

A maior incerteza aumenta o perigo de “descalibração” da política monetária, afirmaram os funcionários do BIS, argumentando que, se os bancos centrais superestimarem os ganhos de produtividade ou subestimarem o aumento da demanda subjacente, correm o risco de manter as taxas de juros baixas demais para conter a inflação.

A intervenção deles ocorreu quando o Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA) iniciou uma reunião de dois dias para definir a política em meio a uma crescente preocupação sobre até que ponto o boom da IA está alimentando pressões de preços na economia americana.

O presidente do Fed, Kevin Warsh, argumentou que os EUA estão à beira de um renascimento de produtividade induzido pela IA que dará ao Fed espaço para cortar os custos de empréstimos sem alimentar a inflação.

Mas alguns formuladores de política monetária dos EUA alertam que, no curto prazo, os investimentos em data centers e a demanda por produtos associados à IA levarão ao aumento dos preços. Com a inflação rodando em mais do que o dobro da meta do Fed em sua medida preferida, o PCE, Warsh está sob crescente pressão para mostrar que o banco central leva a sério a restauração da estabilidade de preços.

Outros bancos centrais também estão lidando com as incertezas da IA.

Philip Lane, economista-chefe do Banco Central Europeu, disse no início deste mês que os efeitos dependerão de a tecnologia deslocar trabalhadores ou ajudá-los a produzir mais e de a oferta de energia conseguir acompanhar a crescente demanda por eletricidade. Ele também citou outras incertezas, incluindo se a atividade de IA permanecerá concentrada nos EUA e na China e a velocidade de adoção.

Avaliar o impacto geral da IA sobre a inflação será “um grande desafio” para os bancos centrais nos próximos anos, declarou Lane.

Autor: Folha

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