Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025 mostram que o Brasil não alcançou as metas de qualidade previstas para 2021 para os anos finais e para o ensino médio pelo Plano Nacional de Educação (PNE). Os dados, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) nesta quarta-feira (5), revelam que, embora o país tenha alcançado os maiores índices da série histórica, o avanço não foi suficiente para cumprir os objetivos traçados há mais de uma década.
Nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), a média nacional alcançou 5,3 em 2025, abaixo da meta de 5,5 estabelecida pelo PNE. No ensino médio não foi diferente: o índice chegou a 4,5, distante do objetivo de 5,2.
Apesar de não ter cumprido as metas nas etapas finais, o país registrou avanços em relação aos ciclos anteriores. Os resultados dos anos iniciais, no entanto, atingiram a meta. Nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), a nota alcançou 6,3, superando a meta de 6,0 estipulada pelo PNE. O resultado representa o melhor desempenho da série histórica para essa etapa.
Os dados também mostram que 2025 marcou os maiores resultados já registrados pelo Ideb em todas as etapas avaliadas, desde 2005. Ainda assim, os avanços não foram suficientes para que o país alcançasse os objetivos definidos pelo plano educacional para os anos finais do ensino fundamental e o ensino médio.
Principal indicador da qualidade da educação no país, o Ideb combina o desempenho dos estudantes no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) com as taxas de aprovação escolar. As metas analisadas integram o Plano Nacional de Educação, aprovado em 2014 e posteriormente prorrogado até o fim de 2025 devido ao atraso na aprovação de um novo plano para a década seguinte.
Apesar de sua relevância para as políticas educacionais, o Ideb é alvo de questionamentos de parte dos especialistas. Isso porque a metodologia pode mascarar problemas de aprendizagem, já que os índices de aprovação – utilizados no cálculo – dependem exclusivamente da gestão escolar. Na prática, melhorias nos índices de aprovação podem elevar o Ideb mesmo sem avanços proporcionais no desempenho dos alunos.
Brasil acumula 12 anos sem cumprir metas nas etapas finais
Em comparação com 2023, o Ideb avançou em todas as etapas da educação básica. Nos anos iniciais do ensino fundamental, a nota nacional passou de 6,0 para 6,3. Nos anos finais, o índice subiu de 5,0 para 5,3. Já no ensino médio, avançou de 4,3 para 4,5.
Na rede pública, a evolução também foi observada em todas as etapas. Nos anos iniciais, o índice passou de 5,7 para 6,1 entre 2023 e 2025. Nos anos finais, avançou de 4,7 para 5,0. No ensino médio, a nota subiu de 4,1 para 4,3.
A diferença entre as redes pública e privada permaneceu elevada em todas as etapas da educação básica. Nos anos iniciais, o Ideb foi de 6,1 na rede pública e de 7,1 na privada. Nos anos finais, os índices foram de 5,0 e 6,4, respectivamente. Já no ensino médio, a distância chegou a 1,5 ponto, com notas de 4,3 na rede pública e 5,8 na privada.
O país nunca conseguiu chegar ao patamar de qualidade considerado necessário pelo próprio PNE em lei de 2014. Desde aquele ano, nenhuma das duas etapas educacionais conseguiu bater as metas graduais previstas.
Com o encerramento do ciclo do PNE em 2025, o país acumula 12 anos consecutivos sem atingir os objetivos previstos para essas duas etapas da educação básica, justamente aquelas que concentram os maiores desafios de aprendizagem e permanência dos estudantes na escola. É entre o 9º ano do fundamental II e o 2º ano do ensino médio que os alunos mais evadem da escola, segundo o Censo Escolar 2025.
Desigualdade entre estados persiste
Os dados divulgados pelo Inep também permitem analisar o desempenho por estado (confira todos os resultados no infográfico abaixo). O Paraná é o estado que ocupa a primeira posição em todas as etapas da educação básica. O Ceará ocupou a segunda colocação nos anos iniciais (6,8) e figurou entre os melhores desempenhos nos anos finais (5,7). No ensino médio, porém, registrou 4,5, resultado equivalente à média nacional.
Na outra ponta do ranking, Amapá, Bahia e Maranhão estiveram entre os cinco piores desempenhos ao longo de toda a trajetória escolar. No Amapá, o Ideb foi de 5,5 nos anos iniciais, 4,6 nos anos finais e 4,0 no ensino médio. Já a Bahia registrou índices de 5,7 nos anos iniciais, 4,5 nos anos finais e 4,0 no ensino médio. O Maranhão, por sua vez, obteve 5,7, 4,7 e 3,9 nas mesmas etapas, respectivamente.
Autor: Gazeta do Povo








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