Crítica | SP
Tari
Quatro estrelas (muito bom)
R. Girassol, 130, Vila Madalena, região oeste. @tarirestaurante
Tem restaurante que não é para qualquer paladar. Fiquei pensando nisso durante o almoço no Tari. Aberto em julho, imaginei que a casa ainda estivesse acertando os passos na cozinha.
Meus planos mudaram logo que chegou a entrada. Era tão bonita que tive a sensação de que nem precisaria prová-la para saber que era boa. Olhar para os corações de pato malpassados sobre acelga fermentada, queijo meia-cura, maionese de avocado e pão de fermentação natural já era um prazer. Mas, claro, comi.

Entrada de corações de pato malpassados sobre acelga fermentada, queijo meia cura, maionese de avocado e pão de fermentação natural do Tari
–
Priscila Pastre/Folhapress
Quatro unidades, cada uma com três metades de corações carnudos, rosados, úmidos, firmes e macios que passam por um susto na brasa. O suficiente para agregar um leve defumado, mas não para disfarçar o sabor marcante. O kimchi entra com uma picância moderada. E o pão, macio, suaviza o conjunto. Em duas pessoas, dá para pedir só essa entrada e partir para os principais.
Foi bom, aliás, constatar que o cardápio traz pratos individuais, algo raro nos restaurantes autorais da cidade. Eu poderia escolher o que me falasse mais às papilas e degustá-lo sozinha, sem ter de compartilhar ou pedir várias pequenas porções. Optei pelo polvo (R$ 123) com nhoque, molho romesco e chorizo espanhol.
Cozido por cinco horas em baixa temperatura, chegou na textura perfeita. No início, tive dúvidas quanto ao molho à base de pimentão vermelho que acompanha o nhoque. Talvez porque esperasse um sabor muito marcado, mas era surpreendentemente suave. Assim, o polvo não perdeu protagonismo. A maciez dele junto à do nhoque quase deixou o prato monótono. Mas a presença de pedacinhos de chorizo se encarregou de um pequeno contraste que fez a diferença.

Polvo com nhoque, molho romesco e chorizo espanhol do Tari
–
Priscila Pastre/Folhapress
Provei também o matambre suíno (R$ 99). No ponto correto, a carne grelhada na brasa recebe um untuoso jus de suã à mesa, preparado a partir do corte suíno que fica junto à espinha dorsal. Um prato bem equilibrado, mas sem surpresas.
Diferentemente da sobremesa. O creme de queijo mascarpone e banana (R$ 45) é bem diferente do que eu imaginava. Para começar, a banana só se faz presente em notas discretas que remetem a uma compota da fruta. Em cima do creme, o que chega é uma granita de frutas vermelhas. Simples e leve, dá uma geladinha na boca e empresta leveza ao mascarpone. Um crocante de quinoa entra com textura e dulçor.
Dá para notar a influência peruana na cozinha do chef Sergio Suslick Mortara, especialmente nas entradas, caso do ceviche (R$ 97) e do tiradito de peixe (R$ 79). Se você gosta de refeições para compartilhar, dá para ficar só nessa parte do menu.

Creme de queijo mascarpone e banana é sobremesa do Tari
–
Priscila Pastre/Folhapress
O almoço no Tari foi uma delícia. Mas não dá para recomendar para qualquer paladar. É preciso estar preparado para o cardápio que provoca e que não entrega sabores fáceis em receitas que aconchegam. Vai entregar gastronomia de alto nível, feita para paladares iniciados ou que queiram aumentar seu repertório.
Autor: Folha








.gif)












