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Hobbies substituem encontros casuais para alguns solteiros – 15/08/2026 – Equilíbrio

Aula de salsa depois do trabalho na segunda-feira. Clube de xadrez na terça. Boxe na quarta. E essa era apenas a primeira metade da semana de Tylo Laidlaw. Por isso, quando o assunto chega aos encontros amorosos, a resposta é simples: ultimamente, ele tem reservado mais tempo para hobbies do que para encontros.

Depois que seu último relacionamento terminou, em 2024, Laidlaw percebeu que havia se tornado estagnado e robótico. Embora tivesse seguido a trajetória de se formar na faculdade, conseguir um emprego e economizar dinheiro, “faltava alguma coisa”, diz ele.

Laidlaw, de 30 anos, experimentou diferentes hobbies. Para ele, a ideia era manter a curiosidade e se colocar em ambientes que, de outra forma, não frequentaria. Agora, sente-se uma pessoa mais completa. O xadrez, por exemplo, apresentou-lhe novas pessoas e ensinou-lhe lições de vida sobre estratégia e responsabilidade.

“Minha vida é tão plena que sei que a pessoa certa vai aparecer”, diz Laidlaw, freelancer de direção criativa em Londres. “Mas não estou por aí procurando.” Embora seja do tipo que gosta de relacionamentos, percebe que está menos preocupado com encontros amorosos porque sua vida é enriquecida de outras maneiras. “Estou muito bem onde estou”, diz ele, e “essa energia se torna contagiante”.

Laidlaw faz parte de um número crescente de solteiros que priorizam vários hobbies em vez de encontros amorosos. Em vez de passar horas deslizando perfis e trocando mensagens em aplicativos, esses solteiros investem tempo, energia e renda disponível em paixões como escalada, decoração de bolos e impressão em cianotipia. Eles dizem que suas agendas sociais estão lotadas, seus grupos de amigos estão crescendo e suas vidas parecem ricas, com ou sem um parceiro romântico.

Os jovens estão priorizando o próprio bem-estar e a felicidade de uma maneira que outras gerações não priorizaram, afirma Alexandra Solomon, psicóloga clínica e professora adjunta da Universidade Northwestern. “Muitas pessoas desta geração estão fazendo perguntas importantes sobre esse modelo capitalista de trabalhar das nove às cinco”, diz Solomon. “Elas estão tentando criar vidas com mais flexibilidade e capacidade de adaptação e que realmente valorizem as experiências que vão além de simplesmente ganhar dinheiro.”

Essa também é uma geração que se sente desiludida com a inteligência artificial e pouco inclinada a beber, o que torna atividades saudáveis, criativas e manuais ainda mais atraentes. Na internet, termos como “hobbymaxxing”, a busca pelo maior número possível de hobbies, ganharam força.

“Missão paralela”, termo originalmente usado nos videogames, ganhou uma nova vida na internet: descreve as atividades e aventuras das quais as pessoas participam fora de suas rotinas para acrescentar um toque de encantamento à vida. Segundo o TikTok, as publicações nos Estados Unidos que usaram o termo “side quest” aumentaram mais de 210% neste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Lisa Kimura, designer de experiência do usuário de 31 anos que mora em Nova York, domina a arte da missão paralela. No início do ano passado, aprendeu a ser DJ, inspirada por uma cena musical florescente em seu bairro, Bushwick, que, segundo ela, precisava de mais mulheres.

Ela também fez um curso de genealogia no ano passado e começou a montar sua árvore genealógica, depois passou a praticar caligrafia japonesa. Sua paixão mais duradoura, porém, são as artes têxteis.

Kimura mudou-se para Nova York em 2023, entusiasmada com a vida amorosa da cidade. Mas, por ser introvertida, achou a experiência desgastante.

“Percebi que é muito difícil ouvir minha voz interior quando estou em um relacionamento”, ou, às vezes, apenas na presença de um homem, diz ela. “Cresci em uma família muito tradicional, de imigrantes, na qual o patriarcado estava vivo e forte.”

Os hobbies ajudaram Kimura a se sentir mais segura e a encontrar a própria voz, em parte porque muitos deles resultam em um produto acabado, o que lhe dá uma sensação de realização. Ao contrário das mulheres das gerações anteriores de sua família, cuja vida girava em torno do casamento e da criação dos filhos, ela se sente livre para se dedicar às atividades que lhe trazem felicidade.

“Sinto que posso projetar meu futuro”, diz ela. Quanto aos relacionamentos amorosos, Kimura afirma que não está fechada para encontros indefinidamente. “Só não sinto mais tanta pressa.”

Amy Chan, consultora de relacionamentos, diz: “As pessoas estão cansadas de sair em encontros. Estão tão decepcionadas com os aplicativos que algumas simplesmente não estão saindo com ninguém.”

Para clientes que tendem a perder a própria identidade nos relacionamentos, Chan recomenda tirar o foco da busca por encontros e, primeiro, construir uma vida pessoal rica. “A ideia é: vamos construir uma vida plena para que você não aja movido pela sensação de escassez nem saia com alguém como se estivesse morrendo de fome”, diz ela, acrescentando que estabelecer independência cria um efeito positivo em cadeia quando essas pessoas voltam a sair com alguém.

“Há uma correção coletiva de rumo em relação aos aplicativos de relacionamento, que foram o centro da vida amorosa nos últimos dez anos”, acrescenta Solomon, e a solução é investir em experiências no mundo real.

Isso não é necessariamente ruim, desde que não venha de um movimento de retraimento ou esquiva emocional, diz ela, acrescentando: “Colocar-se no mundo, ao lado de pessoas de verdade e envolvido em projetos artísticos, iniciativas criativas ou atividades comunitárias reais é uma adaptação muito saudável.” E essas iniciativas podem até levar a novas possibilidades românticas com pessoas que tenham interesses em comum.

Jenneh Kaikai, proprietária da Pelah Kitchen, promove em Nova York aulas de decoração de bolos que fazem sucesso entre solteiros. “Muita gente participa como um encontro consigo mesma e para ter algo para fazer como alternativa aos aplicativos de relacionamento”, diz ela. “Acho que, neste momento, há uma espécie de boom de pessoas querendo fazer esse tipo de atividade —algo criativo, manual e que também não seja centrado em bebidas alcoólicas.”

Autor: Folha

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