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Crise na OpenAI se agrava enquanto Sam Altman prepara IPO – 15/08/2026 – Tec

A OpenAI enfrenta uma crise interna cada vez maior após quase meia dúzia de reorganizações neste ano, enquanto o CEO Sam Altman corre para preparar a criadora do ChatGPT para uma possível abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) de grandes proporções.

Repetidas mudanças na cúpula da empresa e uma série de saídas de funcionários geraram frustração em parte da equipe de uma das empresas privadas mais valiosas do mundo, segundo várias pessoas a par das movimentações.

Nesta semana, a diretora de receita Denise Dresser, nomeada em dezembro para supervisionar a relação com clientes corporativos, anunciou sua saída.

Ela segue os passos do ex-diretor financeiro e ex-diretor de operações Brad Lightcap e da chefe de ética Chloé Bakalar, que deixaram a empresa após menos de um ano, revelou o Financial Times na segunda-feira (10).

A OpenAI afirmou que avança em um ritmo excepcional e não teme fazer mudanças organizacionais.

Fidji Simo, que comandava a divisão de aplicativos e era considerada a número dois de Altman, deixou sua função no mês passado, após um período de licença médica, para se tornar consultora.

Ela, porém, continua atuante nos bastidores e se comunica com funcionários quase diariamente, disseram duas pessoas próximas à OpenAI.

“Ela ainda está mexendo os pauzinhos nos bastidores”, disse uma pessoa a par da dinâmica, que disse que executivos estão realizando “articulações políticas” internas pela atenção de Altman. A empresa afirmou que ela desempenhava sua função de consultoria conforme o previsto.

No fim do mês passado, a OpenAI dissolveu sua equipe de “preparação”, que avaliava se seus modelos poderiam representar riscos graves ou catastróficos. Funcionários seniores passaram a cuidar de áreas como riscos biológicos e cibernéticos.

A OpenAI apresentou as mudanças como parte de um processo de enxugamento antes de uma abertura de capital, seguindo a orientação de Altman para que os funcionários reduzissem as “missões paralelas” e se concentrassem no ChatGPT e na disputa com a Anthropic.

Desde a crise de liderança da OpenAI no fim de 2023, quando Altman foi destituído por menos de uma semana, ele formou uma nova equipe executiva para profissionalizar as operações da empresa. O cofundador Greg Brockman, visto como seu braço direito mais confiável, vem acumulando poder ao ocupar o vácuo deixado pelas saídas recentes.

Alguns funcionários veem as reformulações como evidência de disfunção durante a preparação para uma esperada abertura de capital que poderia avaliar a empresa em até US$ 1 trilhão. O IPO, originalmente esperado para este ano, agora provavelmente ocorrerá no ano que vem, segundo pessoas a par dos planos.

A OpenAI foi ultrapassada pela rival Anthropic neste ano. A receita anualizada da criadora do ChatGPT cresceu de US$ 24 bilhões no fim do ano passado para cerca de US$ 40 bilhões neste mês, segundo pessoas a par do assunto.

A Anthropic, porém, teve crescimento maior: sua receita saltou cinco vezes, de US$ 9 bilhões no fim de 2025 para US$ 47 bilhões em maio, e desde então continua em trajetória semelhante.

Ambas as startups estimam os números de receita para o ano inteiro com base no desempenho recente, embora contabilizem de maneiras diferentes as receitas provenientes de parceiros, o que dificulta uma comparação direta.

Grande parte do crescimento da OpenAI ocorreu desde o lançamento de seu novo modelo GPT-5.6, há cinco semanas, segundo uma pessoa com conhecimento do assunto.

As saídas recentes também chamaram a atenção internamente para um padrão em que figuras importantes eram transferidas para cargos novos ou vagamente definidos antes de deixar a empresa.

A unidade de preparação era um dos elementos remanescentes da antiga estrutura da OpenAI, orientada pela pesquisa, após a dissolução das equipes dedicadas à “preparação para a AGI” e ao “alinhamento à missão”.

Jan Leike, que coliderava a agora extinta equipe de “superalinhamento”, pediu demissão em 2024, afirmando acreditar que a segurança estava ficando “em segundo plano diante de produtos chamativos”.

O chefe da equipe de preparação, Dylan Scandinaro, passou a investigar as implicações de segurança da IA “recursivamente autoaprimorável” —sistemas capazes de aperfeiçoar as próprias capacidades e treinar outros modelos—, segundo duas pessoas a par das mudanças.

Brockman afirmou que os avanços técnicos da OpenAI exigiam salvaguardas “mais robustas” e que a empresa havia feito mudanças para “integrar mais profundamente pesquisa, segurança e proteção” ao desenvolvimento de modelos.

As tensões em torno da segurança da IA se intensificaram nas últimas semanas, após vir à tona que um modelo da OpenAI invadiu outra empresa durante testes de suas capacidades cibernéticas. As saídas de Bakalar, Achiam e Johannes Heidecke, que trabalhavam com segurança, aumentaram a inquietação interna.

“É um tanto assustador; agora há urgência em fazer isso direito”, disse uma pessoa próxima à OpenAI. Outra afirmou haver uma “crescente sensação de responsabilidade e temor de que eles não estejam atentos o suficiente”.

A OpenAI concluiu recentemente uma oferta de recompra de ações de quase US$ 7 bilhões. Nos últimos meses, funcionários vêm vendendo suas participações com base na avaliação de US$ 852 bilhões, e vários receberam mais de US$ 10 milhões, segundo funcionários atuais e antigos.

Funcionários se sentiam “esgotados” e “frustrados” com as reorganizações, disseram duas pessoas. Investidores também manifestaram preocupação com a rotatividade e a falta de foco, enquanto outros veem as mudanças como uma simplificação da equipe executiva.

“Não acho incomum colocar a organização em ordem antes de abrir o capital. É preciso saber com quem se pode contar”, disse um investidor com uma grande participação na OpenAI. “Algumas saídas ocorreram por motivos de saúde. Outras fazem parte da arrumação.”

Autor: Folha

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