Animadas, as filhas da dentista Andressa Janoni da Costa Silva, 39, contaram a troca que fizeram com a mãe: após a vacina, ganharão um brinquedo novo. Andressa e as filhas, de 5 e 8 anos, estavam na fila da UBS Vila Prudente, na zona leste de São Paulo, para receberem a dose de reforço do imunizante contra o sarampo.
Por volta de 12h30 deste sábado (22), Dia D da Campanha Nacional de Multivacinação, cerca de 130 pessoas aguardavam para vacinação. Apesar da alta procura, a dinâmica da fila era rápida. A reportagem visitou UBSs no Pari, na Vila Prudente e na Mooca, na zona leste da cidade.
“Em casa, eu expliquei a elas que é importante para a prevenção e para não passar a doença a outras pessoas. Disse que o sarampo está voltando porque outras pessoas deixaram de se vacinar. Elas ficaram com um pouquinho de medo, mas entenderam a mensagem”, diz Andressa.
Na AMA/UBS Pari, a vendedora Magna de Oliveira, 45, se vacinou contra o sarampo junto com o sobrinho de 10 anos. No sábado (15) passado, ela já havia levado as sobrinhas de 9 e 11 anos para se protegerem contra o sarampo e a gripe.
“Vacina salva vidas. Contei a eles [aos sobrinhos] que antigamente muitas crianças morriam pela falta de vacina”, comenta Magna.
Nas unidades do Pari e da Mooca, apesar da fila, o movimento fluía bem.
A Campanha Nacional de Multivacinação, voltada a crianças e adolescentes até 14 anos, 11 meses e 29 dias começou em 3 de agosto e se estenderá até 1º de setembro.
São ofertados 20 imunizantes: BCG, hepatite B, pentavalente, poliomielite inativada, rotavírus, pneumocócica 10-valente, pneumocócica 20-valente, meningocócica C, gripe, Covid, febre amarela, meningocócica ACWY, tríplice viral, varicela, DTP, hepatite A, pneumocócica 23-valente, dT, HPV e dengue tetravalente.
A vacina da dengue Qdenga, fabricada pela farmacêutica Takeda, é destinada à faixa de 10 a 14 anos. O imunizante do Butantan continua suspenso após 42 eventos de reações adversas mais severas.
A pessoa deve levar um documento com foto e, se possível, a caderneta de vacinação.
O retorno do sarampo nos municípios de São Paulo, São Bernardo do Campo e Guarulhos, na região metropolitana, levou o Ministério da Saúde a recomendar a vacinação para toda a população de 6 meses a 59 anos nas três cidades. Essa orientação é válida mesmo para quem já foi vacinado.
Em 2026, o estado de São Paulo registrou 23 casos confirmados de sarampo —20 na capital paulista, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos, na região metropolitana.
Dois casos são importados e os outros 21 são considerados relacionados à importação, embora a fonte de infecção não tenha sido identificada.
O sarampo é de transmissão respiratória causada por um vírus, altamente contagiosa. Os sintomas mais comuns são febre alta, manchas vermelhas pelo corpo (exantemas), conjuntivite, coriza, mal-estar e tosse seca. A transmissão se dá de pessoa a pessoa, por via aérea, ao tossir, espirrar, falar ou respirar.
O esquema vacinal recomendado pelo Ministério da Saúde prevê duas doses: a primeira aos 12 meses, com a tríplice viral, e a segunda aos 15 meses, com a tetraviral (que inclui varicela).
Pessoas de 1 a 29 anos devem ter duas doses da tríplice viral. Quem está nessa faixa etária e não sabe se já tomou a vacina do sarampo alguma vez na vida deve ser imunizado com duas doses.
Adultos de 30 a 59 anos devem ter pelo menos uma dose. Profissionais de saúde precisam comprovar duas doses independentemente da idade.
Desde o início da Campanha de Multivacinação até segunda-feira (17), foram aplicadas 1.486.857 doses na capital, sendo 1.127.573 contra o sarampo e 359.284 de outros imunizantes.
Neste sábado, as 483 UBSs da capital seguirão abertas até 17 h. A campanha terminará em 1º de setembro.
Na cidade de São Paulo, as vacinas estão disponíveis nas UBSs de segunda a sexta, das 7h às 19h; aos sábados e feriados, nas AMAs (Assistências Médicas Ambulatoriais) integradas às UBSs, no mesmo horário. No Busca Saúde é possível encontrar a unidade mais próxima.
Autor: Folha








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