
O primeiro debate da corrida presidencial será realizado neste domingo (23), às 20h, nos estúdios da Band, em São Paulo. A emissora abre mais uma vez a temporada de confrontos na TV, mas sem os principais candidatos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Com as duas ausências expressivas, estão confirmados Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). A Band decidiu manter o encontro no formato previsto e, seguindo sua tradição, deixará vazios no cenário os púlpitos reservados aos faltosos.
A transmissão começará na internet às 19h, acompanhando a chegada dos candidatos. Na TV, a cobertura parte das 19h30 e o debate, às 20h. BandNews, rádios do grupo e um pool formado por TV Cultura, TV Gazeta, Jovem Pan e Estadão também participarão da cobertura.
O programa terá três grandes blocos e duas etapas reservadas ao confronto direto. Os apresentadores Eduardo Oinegue e Adriana Araújo conduzirão o debate, com participação de jornalistas da emissora. Em algumas rodadas, os candidatos poderão circular e confrontar adversários sem mediação.
Estratégia das campanhas exclui do debate os dois principais candidatos
Lula decidiu faltar sob o argumento de que não haveria equilíbrio no confronto. Sua campanha avalia que o presidente ficaria exposto aos ataques de adversários e questionou a inclusão de Renan e Zema, cujas legendas não lhes asseguravam presença obrigatória conforme a lei.
A estratégia petista é evitar que Lula transforme os debates em plataforma para candidatos com menor intenção de voto. A campanha também teme cortes de vídeo e episódios capazes de viralizar nas redes. O presidente considera participar do debate da Globo, o último antes do primeiro turno.
Flávio adotou raciocínio semelhante e condicionou sua ida aos debates do primeiro turno à presença de Lula. Sem o petista, a avaliação de seus estrategistas é que o senador passaria a ser o alvo preferencial de Caiado, Zema e Renan, todos disputando parcelas do eleitorado de direita.
A ausência dos favoritos altera o eixo político da noite. Em vez do aguardado duelo entre Lula e Flávio, o debate dará aos quatro candidatos presentes uma rara vitrine nacional para buscar visibilidade, atacar a polarização e tentar convencer o eleitor de que há alternativas reais aos dois polos.
Limitado pelo TSE, Marçal promete levar protesto até a porta da Band
Outro foco de tensão estará fora do estúdio. Pablo Marçal (PRTB), que chegou a pedir formalmente sua inclusão no debate, foi impedido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de participar de confrontos, propaganda gratuita e atos formais de campanha até a Corte decidir sobre seu registro.
Mesmo barrado, Marçal prometeu comparecer à Band. Disse que irá “de qualquer jeito, do lado de dentro ou do lado de fora”, sinalizando que pretende explorar politicamente a proibição e transformar a área externa da emissora em palco de protesto e produção de conteúdo para suas redes.
A Band chega ao domingo protegida por regras negociadas previamente com as campanhas. O formato concede um minuto para perguntas e quatro minutos administrados pelo candidato na resposta e em eventual tréplica, como forma de reduzir engessamento e gerar confrontos espontâneos.
Além das presenças garantidas, ainda existe uma disputa judicial paralela. A DC pediu ao TSE a inclusão de sua candidata Clariana Barão, alegando falta de mulheres no debate, além de apontar tratamento desigual diante dos convites feitos a outros dois candidatos sem participação obrigatória por lei.
Fonte: Gazeta do Povo








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