O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, fez um alerta nesta segunda-feira (24) sobre o aumento das dívidas das famílias brasileiras e defendeu mais cuidado na hora de tomar crédito. Segundo ele, o país avançou muito no acesso a serviços financeiros, mas agora precisa garantir que a população saiba usar esse dinheiro sem comprometer excessivamente a própria renda.
Para ele, é natural que mais crédito resulte em mais dívidas, mas o problema aparece quando empréstimos e cartões são usados para despesas que não ajudam a melhorar a situação financeira da família.
“Não dá para ficar contente com uma notícia de que o crédito cresceu e depois reclamar que o endividamento cresceu”, afirmou Galípolo durante a abertura do evento Febraban Tech, em São Paulo.
VEJA TAMBÉM:
-
Lula promulga acordo digital com o Mercosul após barrar proposta dos EUA na OMC
O avanço do Pix, disse Galípolo, ajudou a levar milhões de brasileiros, principalmente os de menor renda, para dentro do sistema financeiro. Três anos depois do lançamento da ferramenta, afirmou, 74% dos adultos cadastrados no Cadastro Único de benefícios do governo federal (CadÚnico) já tinham uma chave Pix e 72% utilizavam o sistema.
“O grande desafio atual é garantir que a população faça um uso responsável dos serviços financeiros que agora estão disponíveis”, afirmou.
Na prática, a orientação é de que antes de pegar um empréstimo ou parcelar uma compra, o consumidor precisa saber quanto poderá pagar e qual tipo de crédito é mais adequado para sua realidade.
Gabriel Galípolo foi além e afirmou que a inclusão financeira veio acompanhada de uma forte expansão dos cartões de crédito. Foram 37 milhões de novos usuários, mas o crescimento trouxe um problema: entre os 96 milhões de brasileiros que usam cartão, 52,8 milhões têm algum tipo de dívida no crédito rotativo ou em compras parceladas com juros.
O cenário se complica ainda mais em relação ao orçamento dessas famílias, em que 54% da renda está comprometida com gastos no cartão com juros que podem chegar a 15,1% ao mês. De acordo com ele, as dívidas continuam aumentando mesmo com o desemprego em nível historicamente baixo e a renda das famílias em patamar elevado.
“O relatório de estabilidade financeira diz que o endividamento das famílias continua alta, pressionado pelo crescimento do cartão de crédito e dos empréstimos pessoais sem garantias e vai reforçar a preocupação de que você está utilizando financiamento rotativo, cartão de crédito, não para você constituir um ativo como colateral”, afirmou.
O presidente do Banco Central afirmou que a preocupação maior está nos cartões e empréstimos sem garantia usados para o chamado “consumo efêmero”, como despesas que acabam sem deixar um bem ou patrimônio para a família.
Freio nos bancos
Ainda durante a participação no evento, Galípolo afirmou que o Banco Central pretende apertar a fiscalização sobre bancos e financeiras para evitar que assumam riscos exagerados na tentativa de ampliar seus negócios. A ideia é fazer com que as empresas tenham dinheiro suficiente para cobrir eventuais prejuízos e não repassem a conta para o sistema financeiro.
“O BC pretende assegurar um ambiente competitivo isonômico, coibindo práticas de empresas que tentam obter vantagens comerciais agindo além das melhores regras de governança e de prestação de serviços à população”, pontuou.
O Banco Central também quer reforçar o combate a fraudes, a segurança contra ataques digitais e o funcionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A mudança, segundo Gabriel Galípolo, será gradual, mas precisa avançar para impedir que o alto endividamento das famílias continue se acumulando.
Apesar do alerta, o presidente do Banco Central destacou que o Pix se tornou uma das ferramentas financeiras mais confiáveis do país, com 80% de aprovação. Diante de dúvidas sobre possíveis mudanças no sistema, Galípolo recomendou que os usuários procurem informações diretamente nos canais oficiais do Banco Central.
“O Pix é frequentemente alvo de ruídos e desinformação. Mas, em caso de incertezas sobre o que vai acontecer com a ferramenta, as pessoas devem consultar diretamente o site do Banco Central”, completou.
Autor: Gazeta do Povo








.gif)












