terça-feira, agosto 25, 2026
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por que a gigante do turismo perdeu 97% do seu valor

A CVC Corp, antiga líder absoluta do turismo no Brasil, atravessa um período de forte retração, acumulando uma desvalorização de 97% em suas ações desde 2019. Com um valor de mercado agora abaixo de R$ 1 bilhão, a empresa tenta se reestruturar em agosto de 2026, enfrentando um cenário de endividamento elevado, juros altos e uma mudança profunda no comportamento de consumo dos viajantes.

Quais fatores internos e externos explicam a perda de valor da CVC?

A crise da CVC não tem um único culpado. Internamente, a empresa carrega o peso de distorções contábeis de R$ 362,4 milhões reveladas em 2020, o que abalou a confiança dos investidores. Externamente, a pandemia paralisou o setor de viagens logo em seguida. Atualmente, o cenário econômico brasileiro com a taxa Selic alta torna o pagamento de dívidas muito caro, já que os juros dos empréstimos sobem. Além disso, o preço do petróleo encarece as passagens aéreas, diminuindo o lucro da companhia, mesmo quando ela consegue vender pacotes e gerar dinheiro em sua operação diária.

Como a mudança no perfil do consumidor afetou o negócio da empresa?

Antigamente, as pessoas iam até uma loja física para planejar cada detalhe da viagem com um vendedor. Hoje, a maioria das decisões ocorre na tela do celular. Essa digitalização favoreceu plataformas online e pegou a CVC em um modelo muito dependente de custos fixos elevados, como lojas em shoppings. Especialistas apontam que o desafio não é apenas ter um site, mas conseguir conversar com as novas gerações. A empresa precisa adaptar a forma como apresenta seus produtos para quem já nasceu no mundo digital e busca agilidade, sem perder a confiança que a marca construiu por décadas.

O que é a estratégia figital adotada pela companhia para tentar se recuperar?

O termo ‘figital’ é a união do físico com o digital. A ideia da CVC é usar canais digitais, como redes sociais e site, para atrair o cliente e depois levá-lo para concluir a compra em uma loja física com o auxílio de um agente. Cerca de 60% do movimento das lojas já vem desse interesse gerado online. Além disso, a empresa mudou o formato das suas unidades: em vez de apenas lojas grandes em locais caros, passou a investir em franquias menores e quiosques, inclusive em cidades do interior. Isso reduz os custos para a empresa e divide o risco do investimento com o franqueado.