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Depressão resistente ao tratamento pode ser melhorada – 25/08/2026 – Equilíbrio

Quando Juan Rivera estava na faculdade, percebeu que atividades de que gostava, como sair com os amigos, haviam deixado de lhe dar prazer.

“Eu não aproveitava plenamente e me sentia meio apático”, disse. Nos dias ruins, mal conseguia sair da cama, muito menos encontrar motivação para deixar a casa.

Rivera, hoje com 35 anos, conversou com uma psiquiatra sobre suas dificuldades. Ela o avaliou, diagnosticou depressão e prescreveu um antidepressivo. Não funcionou. Nos anos seguintes, ela prescreveu vários outros, mas eles também não o ajudaram.

Rivera, advogado especializado em imigração em Miami, sofre do que a maioria dos médicos chamaria de “depressão resistente ao tratamento”.

Não existe uma definição amplamente aceita para a condição, e pode haver diferentes graus de resistência ao tratamento, afirma Gerard Sanacora, diretor do programa de pesquisa em depressão de Yale. Mas muitos médicos, segundo ele, consideram que uma depressão é resistente ao tratamento quando a pessoa não apresenta uma melhora de pelo menos 50% após experimentar dois antidepressivos diferentes em sequência, cada um durante quatro a seis semanas.

Apesar do nome, especialistas afirmam que a depressão resistente ao tratamento pode melhorar e até ser curada. Diversas terapias, muitas vezes combinadas, demonstraram ser eficazes.

Vários fatores podem aumentar a probabilidade de uma pessoa com depressão não responder aos tratamentos medicamentosos iniciais, afirma Debra Kahn, diretora da clínica de terapêutica psiquiátrica avançada da UC Davis Health.

Pessoas com histórico de traumas na infância podem desenvolver uma depressão mais difícil de tratar, ela diz. Quando pacientes com depressão também apresentam ansiedade, determinadas deficiências vitamínicas, doenças da tireoide, doenças cardíacas ou apneia do sono, também podem ter dificuldade para melhorar, em parte porque essas condições podem provocar sintomas semelhantes aos da depressão, como fadiga, afirmou Kahn.

Diferenças genéticas também podem influenciar a probabilidade de a depressão se tornar resistente ao tratamento, acrescentou Kahn. Um estudo publicado em 2025 apontou que predisposições genéticas à insônia e a determinadas formas de neuroticismo aumentam o risco.

As expectativas de uma pessoa também podem influenciar os resultados, afirmou Sanacora. Se alguém já tentou vários medicamentos sem apresentar melhora, é compreensível que não espere muito do próximo.

Estima-se que 31% das pessoas que recebem tratamento para depressão nos Estados Unidos sejam consideradas resistentes ao tratamento, segundo um estudo de 2021.

Não existe uma abordagem única para tratar a depressão resistente ao tratamento.

Na clínica da UC Davis, se os pacientes não apresentam melhora depois de experimentar dois antidepressivos em sequência e passar por psicoterapia, eles podem receber uma dose baixa de um medicamento adicional, como um antipsicótico atípico ou lítio, afirma Kahn.

Os médicos também verificam se eventuais problemas de saúde que possam estar contribuindo para os sintomas estão sendo tratados.

Outra terapia que demonstrou ajudar pessoas com depressão resistente ao tratamento é a estimulação magnética transcraniana, ou TMS, autorizada em 2008 pela FDA (Food and Drug Administration, agência reguladora dos Estados Unidos) para tratar a depressão, disse Kahn.

A técnica utiliza pulsos magnéticos para estimular partes do cérebro a liberar substâncias químicas que melhoram o humor, incluindo noradrenalina, dopamina e serotonina. A TMS é bem tolerada e não apresenta efeitos colaterais graves de longo prazo, acrescentou Kahn.

Uma metanálise de 2023 que reuniu 19 ensaios clínicos constatou que pacientes que receberam TMS enquanto tomavam um antidepressivo tinham 2,8 vezes mais probabilidade de entrar em remissão.

A cetamina, um anestésico comumente usado em cirurgias, também vem sendo cada vez mais utilizada para tratar a depressão resistente ao tratamento. Em 2019, a FDA aprovou o Spravato, um spray nasal que contém escetamina. Em um estudo realizado naquele ano, 52,5% dos pacientes com depressão resistente ao tratamento que tomaram escetamina junto com um antidepressivo durante 28 dias apresentaram uma resolução significativa dos sintomas, ante cerca de 31% daqueles que tomaram um antidepressivo com placebo.

A cetamina parece agir, em parte, ajudando o cérebro a formar conexões novas ou mais fortes em redes envolvidas no humor e na cognição, afirmou Kahn. Medicamentos psicodélicos, incluindo psilocibina, ibogaína e 5-MeO-DMT, que aparentemente atuam de maneira semelhante, também estão sendo estudados como possíveis tratamentos, acrescenta.

Rivera, o advogado especializado em imigração, começou recentemente a usar Spravato por via nasal e passou a se sentir melhor depois da segunda sessão. O medicamento o está ajudando a afastar o “filtro negativo”, diz ele, que permeia seus pensamentos e seu humor.

Ainda assim, é improvável que exista uma única “pílula mágica” capaz de curar a depressão resistente ao tratamento, afirmou Kahn. As pessoas podem se beneficiar de uma combinação de abordagens e também podem precisar combinar os tratamentos com mudanças no estilo de vida.

Sanacora disse que sempre pergunta aos pacientes o que pretendem fazer no fim de semana seguinte para garantir que estejam ativos e procurando atividades que lhes deem prazer.

“Você pode tomar o medicamento, mas também precisa fazer as outras intervenções físicas e sociais que são tão importantes”, diz.

Autor: Folha

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