
Um simpósio recente em Fortaleza, Brasil, sobre demonologia e exorcismo “concentrou-se na afirmação teológica da existência do diabo como parte da doutrina católica”, disse o padre Diogo Jairo Rebouças ao ACI Digital, o serviço irmão em língua portuguesa da EWTN News. O sacerdote é exorcista da Diocese de Limoeiro do Norte, no Ceará, e coordenador do encontro realizado nos dias 18 e 19 de agosto.
O simpósio atraiu 240 participantes, dos quais 76% eram leigos. Segundo Rebouças, o evento foi aberto a esse público porque seu objetivo não era “fornecer treinamento para a realização de exorcismos”, mas sim “refletir teologicamente à luz da Escritura, da tradição e do magistério sobre a realidade dos seres angélicos que escolheram a condenação”.
“Estamos convencidos de que essa perspectiva é altamente benéfica para aprofundar a fé de qualquer cristão”, afirmou.
O encontro foi organizado pela Comunidade Mariana Oásis de Paz com o apoio da Arquidiocese de Fortaleza e ocorreu no auditório central do Colégio Católico de Fortaleza.
Entre os palestrantes estavam dom André Vital, bispo de Limoeiro do Norte, no Ceará; padre Pedro Paulo Alexandre, exorcista da Arquidiocese de Florianópolis, em Santa Catarina, e membro da Associação Internacional de Exorcistas (AIE); padre Fellinto de Oliveira Britto, exorcista da Diocese de Tianguá, no Ceará, e psicólogo; padre Antônio Gomes Macedo Júnior, exorcista auxiliar; o médico Mauro Martins, também exorcista auxiliar; e padre David Piter, exorcista da Diocese de Quixadá, no Ceará, além de Rebouças.
As palestras abordaram, entre outros tópicos, a demonologia nos Evangelhos e o ministério libertador de Cristo, as diretrizes da Igreja para o ministério dos exorcismos, a distinção entre oração de libertação e exorcismo, e o discernimento entre patologias psiquiátricas e possíveis fenômenos espirituais.
Segundo Rebouças, o encontro apresentou as diretrizes da AIE para “deixar claro que apenas sacerdotes devidamente nomeados pelo bispo podem realizar exorcismos solenes”.
O padre afirmou que a orientação destaca “o compromisso da Igreja Católica com o ministério pastoral focado no discernimento e na misericórdia, em vez do medo e do sensacionalismo”.
O simpósio também abordou as precauções necessárias durante a oração de cura e libertação, particularmente em relação a indivíduos que ficam muito angustiados durante essa oração.
“Palestras de exorcistas e profissionais de saúde mental abordaram a necessidade de prudência durante a oração de cura e libertação, pois frequentemente se observa que indivíduos altamente sugestionáveis ficam emocionalmente desestabilizados durante eventos que apelam fortemente às emoções”, disse Rebouças.
Segundo ele, os participantes foram instruídos sobre “qual procedimento seguir quando um membro dos fiéis experimenta uma crise durante [essa oração], a fim de protegê-lo de exposição desnecessária e evitar chegar a conclusões precipitadas sobre possível atividade do maligno”.
Outro tópico abordado foi o discernimento entre possível ação extraordinária do diabo e doenças ou outras condições de origem natural.
“As diretrizes para o ministério do exorcismo estabelecem que não é permitido realizar um exorcismo em um membro dos fiéis até que o exorcista possua certeza moral de que o caso envolve ação extraordinária do maligno, em vez de meramente uma doença ou condição de origem natural”, explicou Rebouças.
Portanto, segundo ele, “a colaboração mútua entre o exorcista, os familiares e os profissionais de saúde, especialmente os profissionais de saúde mental, é extremamente importante”.
“Certamente não é papel do exorcista fornecer um diagnóstico psiquiátrico para a pessoa, nem é papel dos cientistas dizer se o diabo existe ou não”, afirmou. “Cada um desempenha seu respectivo papel, observando sinais de melhora ou deterioração na pessoa ao longo do processo de acompanhamento”.
“Às vezes, um crente profundamente devoto, mas mentalmente doente, recusa-se a tomar seus medicamentos até que o padre o conforte dizendo: ‘Vou abençoar seus remédios!'” disse. “E a fé encoraja a pessoa a seguir o tratamento e as terapias através das quais encontra a cura”.
“Um exorcista nunca desencorajará um crente de fazer uso de recursos terapêuticos científicos”, acrescentou o padre.
“Também não é incomum, em casos de genuína atividade demoníaca extraordinária, que um médico diga à família: ‘Fizemos tudo ao nosso alcance!’ ou até mesmo: ‘Isso desafia a explicação científica!'” disse.
“Nesse sentido, a fé da Igreja oferece uma explicação que atende à necessidade humana em relação às realidades espirituais”, afirmou Rebouças.
O padre destacou a importância das sessões de treinamento para exorcistas auxiliares oferecidas pelo secretariado de língua portuguesa da AIE, nas quais leigos e profissionais de saúde podem participar. A próxima sessão de treinamento ocorrerá de 27 a 29 de novembro no Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro.
©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: Symposium in Brazil addresses the devil’s existence as part of Catholic doctrine
Autor: Gazeta do Povo








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