CRÍTICA | RJ
Sel d’Ipanema
Duas estrelas (Regular)
Av. Vieira Souto, quiosques C 11 e 12, Ipanema, Rio de Janeiro. @selipanema
Eu me conheço o suficiente para saber que, se fosse turista —ainda mais se viesse de um lugar sem praia—, me encantaria à primeira vista pelo Sel d’Ipanema. À beira de um dos melhores pontos da orla do bairro carioca, o quiosque tem mesas e poltronas rústicas quase com o pé na areia, música tranquilinha, drinques, ostras, pratos com frutos do mar (mas não só) e belisquetes. Parece muito agradável.
Mas eu não sou turista e o Sel d’Ipanema, administrado por uma rede internacional de hotéis, é claramente focado neles. Nos gringos. Tem preços acima da média e não se arrisca no cardápio, com pratos standard e pouca margem para criatividade. Quem está de passagem pelo Rio adora, e os ambulantes já descobriram o mapa da mina.

Salmão defumado com maionese de abacate, manga e picles de cebola roxa do quiosque sel d’Ipanema
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Cleo Guimrães/Folhapress
Os vendedores fazem fila para oferecer insistentemente os mais variados produtos, de cangas a paçocas —sempre em espanhol ou inglês— a quem está sentado na parte do quiosque que é aberta para a areia. Foi numa dessas mesas em que me sentei e comecei pedindo duas entradas: salmão defumado com maionese de abacate, manga e picles de cebola roxa (R$ 80) e o fish and chips, peixe empanado com chips de batata, grana padano e molho tártaro (R$ 90).
O salmão veio numa bonita apresentação, com salpicadas coloridas da fruta e da maionese contrastando com o roxo da cebola. Mas, convenhamos: salmão defumado não tem muito erro. Estava gostoso (assim como estaria se eu comprasse no supermercado) e boas tortilhas de milho o acompanhavam.
Outra opção das mais básicas, o fish and chips, no entanto, decepcionou. O peixe (cinco tiras da onipresente tilápia congelada) veio muito salgado e a porção de batatas incluía algumas rodelas melancolicamente murchas em meio às demais sob uma nuvem de grana padano.
Entre um “eu falo português, não sou turista, obrigada” a um vendedor e outro que me abordava, segui desembolsando mais R$ 120 no atum selado semicru —mais uma obviedade, mas que tem como diferencial a crosta de milho torrado no lugar do gergelim. Foi a melhor pedida do dia.
O peixe estava no ponto certo, realmente semicru, e com um toque de pico de gallo, o vinagrete mexicano com limão e pimenta, que trouxe uma acidez muito bem-vinda ao prato. Brócolis, couve-flor, batata, pimentões e um solitário tomate cereja assado ladeavam o atum.
O Sel d’Ipanema é apresentado no site do Orla Rio, concessionária que administra todos os quiosques das praias cariocas, como um “beach club jovem e trendy que transforma o despojado lifestyle carioca e o ambiente em uma grande experiência”. Eu continuei minha experiência apostando no cheeseburguer com batatas fritas (R$ 75).
Quem já comeu um cheeseburguer bem passado (apesar de ter pedido a carne ao ponto para mal passada) sabe a frustração que é recebê-lo quase esturricado. Em que pese o bom brioche tostado e a saborosa maionese verde, é a carne que fala mais alto. E ela estava exatamente como eu não queria, como não havia pedido deixei o sanduíche pela metade.
Decidi que era melhor não arriscar uma sobremesa, apesar de ter ficado tentada a experimentar os churros de doce de leite (R$ 45) e de quase ter cedido à tentação de pedir o mil-folhas de creme de coco com baunilha e calda de morangos (R$ 45).
Como absolutamente todas as mesas à minha volta (uma família de franceses, um grupo de jovens amigos de Nova York e outros gringos que falavam espanhol, cuja procedência não consegui identificar) bebericavam de bem com a vida, pedi uma cerveja sem ver o preço antes. Estava gelada, que bom.
Só então dei por encerrada a minha experiência no beach club jovem e trendy e saí de lá com a sensação que, mesmo sendo um lugar belíssimo (no pôr do sol deve ser incrível), é mais indicado para quem recebe em euros ou dólares e quer badalar, sem grandes pretensões em relação ao que vai comer. Ah, a cervejinha, uma Corona long neck, custou R$ 25. É ou não é preço para turista?
Autor: Folha








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