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Efeitos do El Niño na saúde serão mais intensos em idosos – 31/08/2026 – Equilíbrio e Saúde

A intensificação do El Niño promete potencializar as ocorrências de arboviroses como dengue, chikungunya e febre amarela, além de doenças diarreicas, leptospirose e hepatite A.

É provável que o fenômeno —responsável pelo aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico— também agrave doenças crônicas, cardiovasculares e renais, bem como as condições respiratórias, e aumente o risco de desidratação.

Segundo a Noaa (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) dos Estados Unidos, o evento climático está em patamar forte e deverá evoluir para muito forte (super El Niño) já a partir de setembro.

Para tentar mitigar os efeitos do fenômeno climático, a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo lança nesta segunda-feira (31) o Plano Estadual de Preparação e Resposta em Saúde para o Fenômeno El Niño, que reúne diretrizes aos 645 municípios.

Para chegar às instruções, os departamentos regionais de saúde elencaram as principais ameaças, as prioridades e a dimensão do impacto.

Para assegurar o atendimento em momentos críticos, o plano prevê o mapeamento de redes essenciais e a definição de rotas alternativas de cuidado caso ocorram falhas no sistema.

A estratégia abrange o monitoramento da assistência farmacêutica para impedir a falta de remédios e institui ações de saúde mental voltadas tanto para a população afetada por desastres climáticos como para os próprios profissionais da linha de frente.

O documento também estabelece um plano para garantir a continuidade do tratamento de quem depende dos serviços de saúde com regularidade. É o caso de pacientes em terapia renal substitutiva, em tratamento oncológico ou que utilizam oxigenoterapia domiciliar.

Segundo Regiane de Paula, responsável pela Coordenadoria de Controle de Doenças da secretaria, as alterações climáticas promovidas pelo El Niño devem repercutir de forma mais intensa entre crianças e os idosos.

“Não podemos descartar ninguém —imagine que, num cenário de isolamento, todos serão atingidos. Quando olhamos para a população, os mais afetados costumam ser sempre as crianças e os idosos“, diz afirma.

Além dos danos à infraestrutura, enchentes e inundações causadas pelas chuvas extremas favorecem a proliferação de doenças de transmissão hídrica, que são infecções provocadas pela ingestão ou contato com a água contaminada. São exemplos as gastroenterites virais e bacterianas, classificadas como diarreicas, a leptospirose e a hepatite A.

Outro risco é o de acidentes com animais peçonhentos, que deixam o habitat natural e invadem as áreas urbanas.

Também agravadas com o El Niño, as ondas de calor aumentam os riscos de desidratação, exaustão térmica, insolação e podem piorar doenças cardiovasculares, respiratórias e renais. Regiane de Paula alerta que a consequência é o aumento de internações e da mortalidade entre idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.

A combinação entre chuva e calor traz preocupação com arboviroses. A última ocorrência do El Niño (2023 e 2024) também levou as temperaturas globais a níveis recordes, e em 2024 a dengue matou 6.321 pessoas no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, marcando o ano mais crítico da doença no país —ao menos desde 2000.

Do total de óbitos, 79,7% se concentraram no Sul e no Sudeste.

“Há a expectativa de que em setembro, outubro já tenhamos municípios com aumento de arboviroses. A gente se preocupa bastante com a dengue. Zika não se estabeleceu no estado de São Paulo, graças a Deus. A chikungunya é uma preocupação também. E ainda precisamos lembrar da febre amarela“, diz.

Regiane de Paula também orienta a população a manter a caderneta de vacinação em dia. A imunização é a melhor forma de se proteger contra infecções e assegurar a saúde coletiva, principalmente em situações de aglomeração.

Autor: Folha

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