
Autoridades dos Estados Unidos acusaram a estatal chinesa de transporte marítimo COSCO de usar equipamentos escondidos em navios comerciais para interceptar comunicações militares e coletar informações para Pequim. A empresa negou as acusações nesta sexta-feira (4) e afirmou que os sistemas instalados em suas embarcações são utilizados apenas para atividades comerciais.
A acusação foi revelada nesta semana pela agência Reuters, com base em informações de dois altos funcionários do governo do presidente Donald Trump que falaram sob condição de anonimato. Segundo eles, Washington acredita que alguns navios da COSCO carregam equipamentos capazes de captar sinais de comunicações emitidos por embarcações e aeronaves próximas às costas dos Estados Unidos e de outros países.
As fontes disseram ainda à agência que as informações coletadas poderiam ajudar a China a conhecer tecnologias utilizadas em comunicações militares e acompanhar a movimentação de forças estrangeiras. Os funcionários também afirmaram que a COSCO mantém há décadas uma relação de cooperação com o aparato de inteligência chinês.
Em comunicado divulgado pela própria companhia, a estatal classificou as acusações como “totalmente infundadas” e afirmou que todos os equipamentos de comunicação, navegação, segurança e operação presentes em seus navios têm finalidade comercial.
Segundo a empresa, esses sistemas são utilizados para segurança da navegação, comunicação entre as embarcações e instalações em terra e resposta a emergências.
“Não existe a prática de utilizar navios comerciais para interceptar comunicações militares ou coletar inteligência, como alegado nas reportagens”, afirmou a companhia. A COSCO disse ainda que poderá recorrer à Justiça caso considere que informações falsas estejam prejudicando suas operações e sua imagem.
As suspeitas americanas envolvendo a estatal ocorrem desde o ano passado. Em janeiro de 2025, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos incluiu a China COSCO Shipping Corporation e empresas ligadas ao grupo em sua lista de companhias chinesas consideradas vinculadas ao setor militar do regime de Pequim.
Na versão atualizada da lista, publicada pelo Pentágono neste ano, o governo americano afirma que a COSCO é controlada diretamente pelo órgão estatal chinês responsável por grandes empresas públicas e considera a companhia parte da estratégia de integração entre os setores civil e militar da China. O documento diz ainda que a empresa atua oficialmente em nome do Exército de Libertação Popular em determinadas atividades.
Essa estratégia, conhecida como “fusão militar-civil”, é apontada pelo Pentágono como um mecanismo usado por Pequim para permitir que as Forças Armadas chinesas tenham acesso a tecnologias, pesquisas e conhecimentos desenvolvidos por empresas e instituições que também atuam no setor civil.
A COSCO é uma das maiores companhias de transporte marítimo do mundo e mantém operações em diversas das principais rotas comerciais internacionais, o que dá às suas embarcações acesso regular a portos e águas próximas a instalações estratégicas de diferentes países.
Autor: Gazeta do Povo








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