segunda-feira, setembro 7, 2026
9.3 C
Pinhais

Universidade de Oxford estuda origem evolutiva dos animais de estimação

Uma revisão inédita liderada pela Universidade de Oxford, publicada em setembro de 2026, identificou que comportamentos de cuidado e amizade entre espécies diferentes não são exclusividade humana. Ao analisar 427 interações entre primatas e outros animais, cientistas encontraram pistas valiosas sobre como a disposição para criar laços afetivos com pets pode ter raízes evolutivas muito antigas.

O que o estudo descobriu sobre a interação entre macacos e outras espécies?

Os pesquisadores analisaram centenas de registros, incluindo vídeos e relatos de especialistas, envolvendo 88 espécies de primatas e 127 tipos de animais parceiros, como cães, gatos e aves. Eles descobriram que os primatas frequentemente tomam a iniciativa de interagir de forma amigável. Entre os comportamentos mais comuns estão brincadeiras, carícias e até o compartilhamento de comida. Em situações mais raras e surpreendentes, observou-se o que os cientistas chamam de adoção, onde uma espécie cuida do filhote de outra como se fosse seu, protegendo e alimentando o animal.

Quais exemplos reais de amizade entre animais foram destacados na pesquisa?

Um dos casos mais emblemáticos ocorreu aqui no Brasil, onde um grupo de macacos-prego adotou um filhote de sagui, cuidando dele por pelo menos dez meses com total tolerância do grupo. Outro exemplo citado aconteceu em um zoológico em Israel, onde um macaco-de-crista passou a cuidar de uma galinha de forma protetora. Esses episódios mostram que a capacidade de ultrapassar as fronteiras da própria espécie para oferecer cuidado ou buscar companhia não é um traço que surgiu apenas com os seres humanos modernos, mas algo presente em nossos parentes evolutivos.

Como esses comportamentos ajudam a explicar a origem dos animais de estimação?

A ciência busca entender por que os humanos são a única espécie que mantém animais de estimação de forma sistemática. A pesquisa sugere que, antes de domesticarmos cães para caça ou gatos para proteção de grãos, já tínhamos em nossa herança biológica os “ingredientes” necessários para esse vínculo: a curiosidade, a tolerância e o desejo de brincar com seres diferentes. O hábito de ter pets seria, portanto, uma versão muito mais sofisticada e contínua de uma tendência natural dos primatas de estabelecer proximidade física e social com outras criaturas vivas.