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Como viajar com segurança durante a gravidez – 13/09/2026 – Equilíbrio

Quando estava grávida de 20 semanas da minha filha, fiz uma viagem com meu atual marido. Enfrentamos uma onda de calor de 32°C em Palm Springs, na Califórnia (EUA), e ainda assim eu decidi fazer uma trilha no deserto do Parque Nacional Joshua Tree.

Mal havia se passado 30 minutos quando comecei a sentir calor excessivo, e meus pés incharam. Arrasada, desisti e voltei para o hotel.

Muitas vezes, pode ser difícil prever como uma viagem —mesmo em condições menos extremas— pode afetar uma gravidez. Felizmente, pesquisar, fazer alguns preparativos simples e pedir orientação ao seu médico pode ajudar a tornar tudo mais tranquilo.

Com pelo menos quatro a seis semanas de antecedência, descreva sua viagem ao médico para que ele possa avaliar os riscos e ajudar a determinar se você está liberada para viajar, afirma Mark Turrentine, professor da Faculdade de Medicina Baylor e integrante de um painel que analisa as diretrizes sobre gravidez e viagens publicadas pelo Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas.

Para a maioria das gestações de baixo risco e de feto único, o período ideal para viajar é entre a 14ª e a 28ª semana, diz ele, acrescentando que emergências são mais comuns nas primeiras 12 semanas ou no início do terceiro trimestre.

“Você pode ser impedida de embarcar pela companhia aérea em qualquer fase da gravidez”, afirma Jennifer Doorey, professora assistente do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina Johns Hopkins. Ela sugere levar sempre uma declaração médica que informe a data prevista do parto e confirme que a gestante está liberada para voar.

Após a 28ª semana, muitas companhias aéreas internacionais exigem esse tipo de documentação. Depois da 36ª semana, algumas companhias não permitem o embarque, exceto em circunstâncias especiais.

O limite pode ser antecipado em caso de determinados fatores de risco. As empresas de cruzeiros muitas vezes não permitem o embarque de gestantes após a 23ª semana. Consulte a empresa responsável pelo transporte e, para a volta, deixe alguma margem para possíveis atrasos.

Priorize acesso a atendimento de alta complexidade

Seu médico pode ajudá-la a avaliar o atendimento disponível no destino e a criar um plano alternativo. Uma ilha ou área remota pode não ter hospital, maternidade ou unidade de terapia intensiva neonatal.

“Se sua bolsa se rompesse e você ficasse presa naquele hospital, isso seria aceitável para você?”, questiona Doorey.

Se você for para um cruzeiro, pesquise o nível de atendimento disponível a bordo e nos portos. Ao viajar de avião, considere quanto tempo permanecerá no ar e sobre grandes extensões de água, em quais regiões a aeronave poderia fazer um pouso de emergência e quais opções médicas estariam disponíveis.

Consulte os alertas de viagem das autoridades sanitárias e da OMS (Organização Mundial da Saúde) para áreas com risco de doenças transmitidas por mosquitos que podem causar complicações na gravidez —e malformações congênitas, no caso de certas infecções. Proteja-se usando roupas comprida e repelente seguro para gestantes, além de dormir em ambientes fechados, com ar-condicionado e janelas fechadas, recomenda Turrentine.

A maioria dos planos de saúde dos Estados Unidos não cobre atendimento no exterior, portanto, entre em contato com sua operadora. Considere contratar um seguro-saúde de viagem separado para emergências. Embora o acompanhamento pré-natal de rotina e o parto raramente sejam cobertos, algumas emergências são; por isso, esclareça exatamente o que está incluído.

Leve o prontuário pré-natal em formatos digital e impresso. Leve também uma quantidade extra dos medicamentos prescritos.

Proteja-se durante o trajeto

Mantenha-se hidratada. Doorey recomenda beber uma garrafa de água antes do voo, terminar outra a bordo e beber ainda mais se a viagem for longa.

Use meias de compressão para melhorar a circulação sanguínea, reduzir o inchaço e prevenir coágulos, incluindo a trombose venosa profunda. Caminhe pelo menos a cada poucas horas.

Use o cinto de segurança corretamente. “Ele deve ficar na dobra abaixo da barriga, como se estivesse encostando nos ossos dos dois lados do quadril”, diz Doorey. Ela também recomenda evitar apoiar as pernas no painel do carro, para o caso de o airbag ser acionado.

Tome cuidado no destino

Reserve acomodações com ar-condicionado e elevador ou peça um andar baixo. Avise à equipe que você está grávida.

Não tente fazer coisas demais em um só dia. Evite banheiras de hidromassagem e monitore a temperatura corporal —o superaquecimento é comum e especialmente arriscado durante o primeiro trimestre. Os sintomas incluem suor intenso, dor de cabeça e urina escura, entre outros. Beba água fresca lentamente e descanse, recomenda Turrentine.

Evite atividades físicas que possam causar traumas no abdômen, como esqui ou mergulho com cilindro.

Fique atenta a sintomas associados à pressão alta ou ao trabalho de parto prematuro, diz Turrentine. Ele recomenda procurar atendimento médico em caso de dor abdominal, sangramento vaginal, contrações, dor de cabeça persistente e tontura, entre outros sintomas. Em caso de dúvida, é melhor pecar pelo excesso de cautela.

Depois de receber a liberação do médico, viajar durante a gravidez costuma ser considerado seguro. Ainda assim, também pode ser estressante. Em geral, não se recomenda o uso de medicamentos de curto prazo contra a ansiedade, mas converse com seu médico.

Alongamentos, respiração ritmada, exercícios de relaxamento muscular e molhar o rosto com água ou redirecionar os pensamentos podem ajudar.

Autor: Folha

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