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Como uma revolta contra a corrupção e a censura derrubou um governo no Nepal

Um ano depois de derrubar o governo do Nepal em questão de dias, a revolta protagonizada por jovens da chamada Geração Z voltou a aparecer no debate político brasileiro nesta semana. Na terça-feira (15), enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) discutia se abriria caminho para uma investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes no caso Banco Master, o termo “Nepal” entrou entre os assuntos mais comentados no X no Brasil. Publicações relacionaram o julgamento aos protestos ocorridos no país asiático em setembro de 2025.

Parte das publicações citava a revolta no Nepal como exemplo de reação popular ao que seus autores apontavam como impunidade no Brasil. O julgamento no STF foi interrompido após pedido de vista de Flávio Dino, antes que o caso envolvendo Moraes fosse analisado.

O que aconteceu no Nepal

Em setembro de 2025, uma onda de protestos liderada principalmente por jovens transformou em poucos dias uma insatisfação acumulada com corrupção, nepotismo, censura e falta de oportunidades numa crise que derrubou o governo do primeiro-ministro comunista K.P. Sharma Oli.

O estopim foi a decisão do governo de bloquear 26 redes sociais e aplicativos de mensagens. As autoridades alegaram que as plataformas não haviam cumprido exigências regulatórias. Manifestantes e opositores viram a medida como uma tentativa de restringir a circulação de críticas ao governo. O movimento que tomou as ruas combinou justamente duas grandes reivindicações: o fim do bloqueio das redes e uma reação à corrupção política.