O presidente Lula (PT) afirmou nesta quinta-feira (17) que canetas para emagrecimento deverão ser oferecidas gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
A declaração foi dada durante visita ao novo complexo industrial da farmacêutica Eurofarma, em Montes Claros (MG), no mesmo dia em que o governo anunciou um reajuste de 15% do Bolsa Família, a pouco mais de duas semanas do primeiro turno das eleições.
“O que é importante é que essa canetinha vai ser utilizada para cuidar de graça das pessoas que tenham obesidade, tá?”, disse Lula.
O presidente não especificou durante o discurso qual medicamento será oferecido, quais pacientes terão acesso ao tratamento, quando a medida começará a valer nem seus custos. Segundo ele, a utilização deverá ser acompanhada por médicos.
Lula está sob pressão na campanha eleitoral, diante do empate com Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas.
Dentre as medidas e anúncios de apelo popular programados pela equipe do petista às vésperas do pleito também estão o projeto de aumentar para até R$ 140 mil anuais o limite de receita bruta anual dos MEIs (microempreendedores individuais).
Na prática, a campanha transforma em promessa eleitoral a proposta enviada pelo atual governo ao Congresso no final de junho. No formato que chegou ao Legislativo, o texto faria um aumento escalonado para até R$ 140 mil em dois anos. Hoje, o limite é de cerca de R$ 80 mil. A alteração deve custar R$ 8,1 bilhões até 2029, de acordo com a gestão Lula.
Canetas
“Primeiro, Padilha, você tem que fazer um favor. Os médicos, é preciso ter um acordo com os médicos, porque não pode ficar receitando caneta à torta e à direita”, afirmou Lula em Minas Gerais, dirigindo-se ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Lula disse que o tratamento da obesidade não deve se limitar ao uso do medicamento e defendeu mudanças na alimentação e a prática de exercícios físicos.
“Tem gente que para emagrecer é preciso reeducá-lo do ponto de vista alimentar, precisa voltar a aprender a comer coisas que façam bem para a saúde. Segundo, fazer um pouco de exercício”, afirmou.
O presidente também criticou a distribuição indiscriminada dos medicamentos e disse que médicos devem avaliar se o paciente pode ou não utilizá-los.
“Então os médicos também têm que contribuir, porque daqui a pouco vai ter gente distribuindo canetinha para todo mundo. Vai ter deputado jogando caneta para o povo. Não é assim, isso é irresponsabilidade. A pessoa tem que saber, se pode ou não tomar, se vai fazer bem para saúde ou não. Se você está acima do peso, vai correr, vai andar”, disse Lula.
O petista também defendeu o papel do SUS como comprador de medicamentos e falou sobre a ampliação da produção nacional de remédios.
Também nesta quinta, o governo federal anunciou reajuste de 15,04% nos valores do Bolsa Família. O benefício mínimo passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio subirá de R$ 675 para R$ 777. O aumento começa a ser pago em outubro.
O reajuste foi formalizado em decreto assinado por Lula e corrige os benefícios pela inflação acumulada medida pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026. O texto estabelece que os novos valores terão efeitos financeiros a partir de 1º de outubro.
Segundo o governo, a correção representa a reposição da inflação acumulada desde o relançamento do programa, em 2023. O impacto estimado é de R$ 5,8 bilhões nas contas públicas em 2026 e de R$ 22,7 bilhões em 2027.
Trump e ataques a Flávio
Mais tarde, em comício em Montes Claros, Lula afirmou que pretende dizer ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não interfira na eleição brasileira. O petista disse que viajará aos EUA no próximo sábado (19).
“Eu vou para os Estados Unidos encontrar com o presidente Trump e vou dizer para ele: ‘Não se meta na eleição brasileira, que vai perder.’ Esse país não vai voltar a ser colônia”, afirmou.
Lula também atacou Flávio Bolsonaro e disse que prefere comparar sua gestão à do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do candidato. Na sequência, citou uma série de políticas e programas que atribuiu a seus governos, como Farmácia Popular, Fies, institutos federais, Minha Casa, Minha Vida, Pé-de-Meia e a política de valorização do salário mínimo. Em contraposição, questionou o que teria sido feito durante o governo Bolsonaro.
“Eu não quero ser comparado com Flávio porque ele não é ninguém. Eu quero ser comparado com o pai dele que foi presidente da República”, disse.
O presidente também citou o caso das fraudes contra aposentados no INSS e afirmou que seu governo descobriu e prendeu integrantes de uma “quadrilha”, além de dizer que valores foram apreendidos e usados para ressarcir beneficiários. Lula ainda associou Flávio a Daniel Vorcaro, do Banco Master.
“Esses dias disseram que meu filho era sócio do careca. Eu descobri que quem tem escritório junto com o careca é Flávio Bolsonaro”, afirmou.
Flávio é investigado no caso Master e confirmou ter procurado Vorcaro para obter recursos privados para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Como mostrou a Folha, Vorcaro repassou ao menos R$ 62,9 milhões para a produção. O senador Flávio Bolsonaro nega ter cometido irregularidades.
Autor: Folha








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