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Especialistas questionam benefícios de suplementos – 23/09/2026 – Equilíbrio

Uma nova pesquisa sugere que quase 8 em cada 10 adultos nos Estados Unidos tomam pelo menos um suplemento alimentar, incluindo 1 em cada 3 pessoas que consomem pós, barras e bebidas proteicas.

A pesquisa, realizada pelo Pew Research Center, é pequena. Mas sugere que os suplementos, usados há muito tempo por muitos americanos, estão se tornando cada vez mais populares —mesmo enquanto especialistas dizem que muitos desses produtos provavelmente não melhoram a saúde de forma significativa.

“Eu diria que bem mais de 80%, 90% do consumo de suplementos não oferece nenhum benefício comprovado para a pessoa que os toma”, afirmou o médico Pieter Cohen, professor associado de medicina da Harvard Medical School.

Dos 3.554 adultos americanos entrevistados, 31% disseram tomar suplementos proteicos, com maior uso entre adultos com menos de 50 anos.

Vitaminas e minerais foram os tipos de suplementos mais citados, usados por 67% dos participantes. A pesquisa também constatou que 25% das pessoas tomavam suplementos de ômega 3, óleo de peixe ou óleo de krill, e quase 20% usavam suplementos à base de plantas, como ginseng ou ashwagandha, uma erva da medicina ayurvédica.

Há boas razões para tomar suplementos alimentares, por exemplo, para tratar uma deficiência nutricional ou prevenir malformações congênitas, afirma o cardiologista Eric Topol, fundador do Scripps Research Translational Institute. “Mas essa é uma minoria”, acrescenta.

As pessoas frequentemente tomam suplementos de ômega 3 porque acreditam que eles vão melhorar a saúde do coração ou do cérebro, por exemplo, mas a maioria dos ensaios clínicos não conseguiu encontrar esses benefícios.

E a maioria das pessoas provavelmente não precisa de suplementos proteicos, diz Topol.

“As pessoas têm essa paranoia de que não estão consumindo proteína suficiente”, afirma, talvez por causa de influenciadores que promovem a ideia de que as pessoas deveriam consumir muito mais do que a quantidade recomendada. Mas, na realidade, a maioria das pessoas já consome proteína suficiente por meio dos alimentos que ingere, disse Topol.

A pesquisa do Pew constatou que mais mulheres do que homens tomavam suplementos proteicos, resultado que surpreendeu Stuart Phillips, professor de cinesiologia da McMaster University, no Canadá. Até recentemente, segundo ele, era mais comum que homens suplementassem a alimentação com proteína. O aumento do uso entre as mulheres pode refletir uma maior atenção às necessidades de proteína nas redes sociais, o que tem algum fundamento, já que as mulheres são mais propensas do que os homens a consumir menos proteína do que o necessário, diz.

A popularidade dos suplementos proteicos também pode estar parcialmente relacionada ao uso crescente de medicamentos agonistas de GLP-1 e à crença de que consumir proteína adicional pode ajudar a evitar a perda de massa muscular que pode acompanhar o uso desses medicamentos para emagrecimento, disse Phillips.

Independentemente do sexo ou do uso de medicamentos, é importante consumir proteína suficiente, afirma Phillips. Mas, para desenvolver ou manter a massa muscular, acrescenta, o treinamento de resistência é mais importante do que o consumo de proteína. E é melhor obter a proteína de fontes alimentares, porque elas fornecem outros nutrientes benéficos. “Suplementos são convenientes, mas não são necessários”, diz.

Embora estimativas anteriores sobre o uso de suplementos tenham variado, pesquisas sugerem que ele aumentou nas últimas décadas, diz Elizabeth Kantor, epidemiologista do Memorial Sloan Kettering Cancer Center. Em junho, ela e seus colegas publicaram um estudo que incluiu mais de 63 mil adultos americanos, entrevistados entre 1999 e 2023. Nesse período, os pesquisadores constataram que o uso de suplementos aumentou de 51% para 60% dos adultos.

O aumento do uso de suplementos pode ser impulsionado em parte por alegações sobre seus benefícios nas redes sociais, muitas das quais não têm comprovação, diz Topol. Também pode ser “um reflexo da obsessão com a longevidade, de que eles serão o passaporte para prolongar a expectativa de vida”, afirma.

Tanto os dados do Pew quanto o estudo de Kantor constataram que o uso de suplementos era maior entre pessoas com 65 anos ou mais. Isso não é surpreendente, diz Cohen, porque médicos frequentemente recomendam que idosos tomem suplementos, incluindo multivitamínicos, cálcio ou vitamina D, embora as evidências que sustentam os benefícios desses produtos sejam controversas.

As pessoas podem escolher tomar suplementos alimentares por uma série de razões, diz Gretchen Zimmermann, nutricionista registrada e porta-voz da Academy of Nutrition and Dietetics. Mas elas devem ter em mente que as empresas de suplementos não precisam comprovar que seus produtos são seguros ou eficazes antes de colocá-los à venda.

E os suplementos podem apresentar riscos, como toxicidade provocada por doses elevadas de vitaminas ou minerais, danos ao fígado causados por determinados suplementos à base de plantas ou interações com medicamentos. Sempre converse com um médico antes de tomar um suplemento, complementa Zimmermann.

A indústria global de suplementos é avaliada em cerca de US$ 228 bilhões, segundo a Grand View Research, empresa de pesquisa de mercado.

“A maioria deles é um desperdício de dinheiro”, diz Topol. “Não há dados que os sustentem, mas eles enriquecem sua urina.”

Autor: Folha

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