Em seu primeiro compromisso desde a eliminação para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, a seleção brasileira voltou a apresentar problemas que já haviam aparecido durante o Mundial e só empatou por 1 a 1 com a esforçada equipe da Austrália.
O time comandado por Carlo Ancelotti mais uma vez sentiu falta de um homem de ligação no meio de campo, com os quatro atacantes —Endrick, Estêvão, Raphinha e Vinicius Junior— muito distantes dos meias Bruno Guimarães e Danilo Santos, resultando em sérias dificuldades para fazer a transição da defesa para o ataque.
Nas laterais, Douglas Santos, pela esquerda, já presente na Copa da América do Norte, e Matheuzinho, pela direita, em sua primeira convocação, ajudaram na defesa, mas pouco contribuíram na criação de jogadas no campo de ataque.
Além disso, Vinicius Junior, que não atravessa boa fase no Real Madrid de José Mourinho, teve novamente atuação apenas discreta com a camisa amarela, com Estêvão, do Chelsea, de volta ao grupo após ficar fora do Mundial por lesão, mais uma vez como o destaque positivo do time.
Em nove partidas, a seleção brasileira acumula agora seis vitórias, dois empates e uma derrota contra a seleção australiana.
O resultado contra a Austrália, apenas a 25ª no ranking de seleções da Fifa —a seleção brasileira é a 6ª— se soma a outros resultados recentes decepcionantes da equipe brasileira, como a primeira eliminação nas oitavas da Copa do Mundo desde 1990, e a primeira derrota para a seleção do Japão, em amistoso em 2025.
Jogando no Queensland Country Bank Stadium, em Townsville, na costa nordeste australiana, o time da casa começou melhor, pressionando a seleção brasileira em seu campo de defesa.
Os donos da casa levaram perigo ao gol de Hugo Souza logo aos seis minutos, em chute de fora da área do atacante Nestory Irankunda, que defende o Sporting, de Portugal.
A primeira defesa do goleiro australiano Beach aconteceu apenas aos 22 minutos, em cabeçada fraca de Raphinha.
A formação brasileira melhorou um pouco a partir da metade do primeiro tempo, com o atacante do Barcelona recuando para tentar melhorar a ligação com o meio de campo. Estêvão também passou a se destacar contra a defesa australiana, pela ponta direita.
Aos 37, Raphinha levou perigo pela primeira vez em jogada de velocidade que terminou em chute bloqueado pela zaga, e, aos 45, Estêvão chegou a abrir o placar, mas o gol foi anulado por falta de Bruno Guimarães no início da jogada.
No segundo tempo, a seleção brasileira voltou sem modificações, com Raphinha e Estêvão com as melhores chances para abrir o placar, aos 17 e 18 minutos.
Aos 22, pouco após Ancelotti trocar os apagados Vinicius Junior e Endrick pela dupla do Flamengo formada por Samuel Lino e Pedro, respectivamente, a seleção australiana abriu o placar com Irankunda, que acertou cobrança de falta da entrada da grande área no ângulo esquerdo de Hugo Souza, que não chegou a tentar a defesa.
O italiano promoveu pouco depois uma série de trocas, com as saídas de Douglas Santos, Vitor Reis e Estêvão, que deram lugar para Mauro Júnior, Jair e Rayan, sem que a seleção brasileira conseguisse chegar com real perigo ao gol australiano, até os 49 minutos.
No último lance do jogo, Rayan acertou boa cabeçada após escanteio de Raphinha, e a bola ainda bateu no goleiro e no travessão antes de cruzar a linha por poucos centímetros.
Capitão da seleção brasileira, o experiente zagueiro Marquinhos, do PSG, reconheceu que o resultado deixou a desejar.
“A expectativa era de um resultado melhor, dos torcedores, nossa. Não conseguimos concretizar as ocasiões que tivemos em gol”, afirmou o defensor.
“Temos que estar cientes que é o começo de uma nova fase […] mas com certeza podemos fazer muito melhor”, acrescentou ele.
A seleção brasileira volta a enfrentar a Austrália na próxima terça-feira (29), em Brisbane, antes de embarcar para a Índia, onde encara o time da casa pela primeira vez na história, no dia 3 de outubro, em Calcutá.
Autor: Folha








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