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o trunfo das cooperativas para dominar riscos

Não é todo dia que cooperativas vão às compras e assumem o complexo industrial de uma das grandes tradings de commodities agrícolas numa região que é polo mundial de produção de grãos. Por isso, a aquisição da esmagadora de soja da multinacional Louis Dreyfus Company (LDC) em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, chamou atenção: em agosto, o ativo passou oficialmente a um consórcio de sete cooperativas, lideradas pela Frísia Cooperativa Agroindustrial.

O valor da transação não foi divulgado. Contudo, somado ao capital de giro para movimentar a fábrica chegaria a R$ 1,4 bilhão, num dos maiores investimentos de intercooperação já feitos no país.

O movimento não é isolado. Nos últimos dois anos, cooperativas agropecuárias abriram um ciclo bilionário de investimento em novas esmagadoras para extração de óleo degomado e produção de biodiesel (segunda etapa de beneficiamento), principalmente no Sul e no Centro-Oeste.

Investimentos miram demanda acelerada de óleo-base para biodiesel

No Rio Grande do Sul, Cotrijal, Cotrisal e Cotripal se uniram na Soli3, projeto de R$ 1,25 bilhão em Cruz Alta que vai produzir óleo degomado, biodiesel, glicerina e farelo a partir de 2028. Em Goiás, a Comigo constrói uma esmagadora de R$ 1,5 bilhão em Palmeira de Goiás para dobrar a capacidade e mirar o biodiesel. A Coamo, maior cooperativa agropecuária do país, investe R$ 480 milhões em uma planta de biodiesel em Paranaguá (PR); a Cooperalfa, do sistema Aurora, aporta R$ 230 milhões para erguer uma usina de biodiesel em Chapecó (SC); e a Cocamar investe R$ 750 milhões numa nova esmagadora em Maringá (PR), também se preparando para entrar no ramo do biodiesel.