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Quênia confirma primeiro caso e morte por ebola no país – 06/10/2026 – Equilíbrio e Saúde

O Quênia registrou sua primeira morte por ebola da história, informou o ministro da Saúde nesta terça-feira (6), após um homem queniano que vivia na República Democrática do Congo (RDC) morrer ao retornar ao país.

A RDC declarou seu 17º surto de ebola em maio. A doença mortal vitimou mais de 15 mil pessoas na África ao longo dos últimos 50 anos.

O Quênia nunca havia registrado um caso anteriormente. A vizinha Uganda registrou 20 casos —quase todos de pessoas que haviam viajado da RDC— e duas mortes, antes de ser declarada livre do ebola em agosto.

O Centro Africano para Controle e Prevenção de Doenças informou que uma equipe está a caminho do Quênia para prestar assistência, e que seu diretor-geral, Jean Kaseya, também visitará o país nos próximos dias.

O cidadão queniano, que não teve o nome divulgado, mas foi identificado como um empresário de 40 anos, adoeceu há cerca de um mês e havia sido tratado na RDC, disse o ministro da Saúde, Aden Duale, a jornalistas.

Ele viajou por via terrestre até a capital de Uganda, Campala, e depois voou para Nairóbi em 3 de outubro. Duale afirmou que o homem apresentava “febre, calafrios, fadiga intensa, fraqueza, dor muscular, dor ao engolir, dor de garganta e sangramento sob a pele nos locais de injeção”.

Parentes do homem o levaram a um hospital de Nairóbi, onde a infecção pelo vírus foi confirmada antes que ele “lamentavelmente falecesse na noite de ontem por volta das 23h30” (17h30 no horário de Brasília), disse Duale.

Os preparativos para um “sepultamento seguro e digno” foram planejados para o final desta terça-feira, de acordo com as normas de saúde pública.

As autoridades quenianas identificaram 28 contatos do falecido, incluindo familiares e profissionais de saúde, mas nenhum testou positivo para o ebola até o momento.

As autoridades estão buscando outros 23 passageiros e quatro tripulantes que estavam no mesmo voo, e informaram que uma quarentena potencial para aqueles em risco já foi preparada.

“Gostaria de tranquilizar o público para que não entre em pânico, pois todos os sistemas estão prontos para mitigar a propagação da doença”, disse Duale.

Mais cuidados são necessários nos pontos de entrada das fronteiras, pois “as doenças não conhecem fronteiras”, disse a jornalistas Patrick Amoth, diretor-geral do ministério da Saúde.

“A falha foi o sistema que não funcionou”, acrescentou ele à AFP, questionando como alguém com sintomas tão evidentes conseguiu viajar.

Surto na RDC

Até 2 de outubro, a Organização Mundial da Saúde havia registrado 4.082 mortes entre 8.463 casos desde o surgimento, na RDC, da cepa Bundibugyo do vírus ebola, para a qual ainda não existe vacina nem tratamento específico.

Após começar na província de Ituri, no nordeste do país, o surto atual se espalhou por sete províncias no norte e no leste.

O vírus atingiu regiões instáveis no vasto país da África Central, onde confrontos armados e violência, somados a uma escassez crítica de recursos, têm dificultado a resposta sanitária.

A organização médica humanitária Médicos Sem Fronteiras alertou na segunda-feira para um “aumento alarmante” de casos na província de Kivu do Norte, no leste, que faz fronteira com Uganda.

Os quenianos reagiram com indignação aos planos do governo, anunciados no início deste ano, para a criação de uma instalação de ebola para cidadãos norte-americanos na Base Aérea de Laikipia, a cerca de 200 quilômetros de Nairóbi.

Autor: Folha

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