Ainda no trajeto até o Monumental de Núñez, Lionel Messi não conseguiu conter as lágrimas. Imagens do astro no ônibus da delegação argentina o mostraram limpando o rosto, emocionado com o carinho que recebia antes de sua despedida da seleção. Tentando se recompor, retribuiu com um aceno caloroso.
Quando pisou no gramado pela primeira vez, durante o aquecimento, as arquibancadas se dividiram entre euforia e contemplação. Cada segundo parecia ser tratado pelos argentinos como se fosse o último.
Após o anúncio da escalação inicial, Messi teve seu nome cantado em uníssono. “Pela última vez vestindo a camisa 10, o nosso capitão, o maior artilheiro da história da seleção da Argentina, a lenda Lionel Andrés Messi”, anunciou o locutor do estádio.
Pouco antes do início da partida contra o Benin, uma camisa gigante da Argentina com a palavra “Gracias” acima do número 10 do astro foi estendida no gramado. Diante dela, uma multidão de 85 mil pessoas nas arquibancadas, com ingressos esgotados, demonstrava sua devoção com entusiasmo.
No momento do hino nacional, a emoção tomou conta de Messi novamente. Desta vez, ele não conseguiu cantar. Ao lado dos filhos Thiago, Mateo e Ciro, chorou enquanto Fabio Santana, um veterano da Guerra das Malvinas, entoava os versos ao lado da agora histórica bandeira que foi hasteada após a vitória sobre a Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo de 2026.
Assim que a partida começou, precisamente dez minutos após o início do primeiro tempo, os 22 jogadores se esqueceram completamente do jogo. Vários jogadores do Benin, que haviam dito antes que seria um dia para se divertir, aproveitaram a pausa inesperada e se aproximaram para cumprimentá-lo. O estádio ficou completamente de pé para lhe prestar uma última homenagem.
Com bola rolando, Benin levou o jogo a sério. E impôs certa dificuldade à Argentina, como se quisesse dar a Messi uma despedida digna. Mas não conseguiu se segurar depois do intervalo.
Aos 6 minutos do segundo tempo, Nicolás Otamendi, 38, que, se não era o dono da festa, certamente era um dos convidados mais ilustres, foi substituído, encerrando também sua trajetória pela seleção. Foi dele o gol que abriu o caminho para o adeus de Messi com uma vitória por 3 a 0.
Depois, aos 16, foi a vez do jovem Nico Paz, 22, candidato a futuro 10 da Argentina, fazer com um chute colocado, de chapa, o segundo dos donos da casa.
Mas o momento mais esperado estava reservado para os 25 minutos, quando, de pênalti, Messi fez o dele. Seu 126º e o último pela seleção —não por sua vontade, mas pelo esforço do goleiro Dandjinou, que fez ao menos quatro difíceis defesas e outras tentativas do astro.
Nada, porém, capaz de estragar a festa para o camisa 10.
Messi anunciou sua aposentadoria do futebol internacional em agosto, encerrando uma carreira pela Argentina que durou mais de duas décadas, com seu auge na conquista da Copa do Mundo de 2022, no Qatar.
Sua despedida ocorre dois meses e meio após a derrota da Argentina para a Espanha na final da Copa do Mundo deste ano, em Nova Jersey, onde Messi saiu em lágrimas após uma atuação discreta em uma partida tensa que terminou com derrota por 1 a 0.
Autor: Folha








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