
O copiloto de um voo da FlyDubai tentou executar um atentado inspirado no 11 de Setembro em Israel no final de setembro — mas foi contido por passageiros e tripulantes. Segundo uma investigação dos Emirados Árabes Unidos, ele pretendia lançar o avião contra o aeroporto de Tel Aviv. O objetivo era “causar o maior número possível de mortes”, afirmou o procurador-geral dos Emirados na sexta-feira (9).
O ataque começou em pleno voo, no dia 30 de setembro, quando a aeronave seguia de Dubai para Israel. O copiloto omanense, identificado pela imprensa como Hamam al-Hammami, usou o machado de emergência da cabine para agredir o comandante, o indiano Smit Machchhar. A maioria dos passageiros era israelense.
Mesmo ferido, Machchhar conseguiu abrir a porta da cabine. Passageiros e integrantes da tripulação entraram e enfrentaram o agressor para impedir que ele assumisse o controle do avião. Durante o confronto, a aeronave perdeu cerca de 5 mil metros de altitude. Um piloto que também estava a bordo assumiu os comandos e fez um pouso de emergência na Arábia Saudita.
Conteúdos extremistas
A investigação aponta uma preparação minuciosa para o ataque. Era o terceiro voo do copiloto para Tel Aviv. Segundo as autoridades dos Emirados Árabes Unidos, as duas viagens anteriores haviam servido para planejar o atentado. Ele teria se radicalizado enquanto estudava na Austrália, por meio de literatura extremista e conteúdos na internet que glorificavam organizações terroristas e ataques suicidas.
Mas como esse homem chegou aos comandos de um voo para Israel? Segundo as investigações, ele tinha licença, apresentou certificado de bons antecedentes e passou pelas verificações exigidas. “Nenhum dos procedimentos revelou indícios de suas opiniões extremistas”, afirmou o procurador-geral dos Emirados, Hamad Saif Al Shamsi.
Há, no entanto, relatos de um histórico que as checagens não identificaram. De acordo com a agência de notícias Associated Press, o copiloto já havia sido impedido de voar em Omã justamente por suas posições extremistas. Como, então, ele foi autorizado a pilotar pela FlyDubai? É o que a investigação ainda precisa esclarecer.
Após o ataque, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, elogiou a coragem do comandante e dos passageiros. “Ele salvou a vida de 174 pessoas, incluindo cidadãos israelenses e de outras nacionalidades”, afirmou sobre Machchhar. Netanyahu também determinou uma revisão da segurança dos voos de companhias estrangeiras com destino a Israel. O copiloto permanece detido nos Emirados.
Autor: Gazeta do Povo








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