Reuters
A inteligência artificial precisa urgentemente de uma regulamentação global, com avaliadores independentes capazes de examinar novos desenvolvimentos, afirmou o presidente da Microsoft, alertando que, atualmente, a IA está sujeita a menos requisitos de segurança do que o leite.
Em entrevista à BBC publicada na segunda-feira (12), Brad Smith disse que é necessário estabelecer um conjunto de regras globais de segurança, exigindo que uma “vítima” seja informada caso seu sistema seja invadido por um agente de IA descontrolado e que haja um “freio de emergência” disponível.
Segundo ele, também deveria haver uma exigência legal para que as empresas elaborassem “relatórios de incidentes”.

O presidente da Microsoft, Brad Smith, durante uma reunião com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, em Tóquio
–
Kazuhiro Nogi – 3.abr.2026/AFP
“Sabemos como fazer isso com outros produtos”, disse Smith. “Devemos aproveitar esse conhecimento e pensar em como aplicá-lo à IA.”
“Atualmente, sua máquina de lavar está sujeita a mais regras de segurança do que a IA. Toda caixa de leite que você vê no supermercado está sujeita a regras de segurança e inspeção.”
Empresas de tecnologia como Anthropic e OpenAI começaram a divulgar comportamentos descontrolados ou indesejados de agentes de IA, como parte de um debate global sobre essa tecnologia que avança rapidamente e que inclui alertas de pesquisadores sobre uma possível ameaça existencial à humanidade no futuro.
Algumas empresas pediram que o desenvolvimento da IA desacelere, mas isso gerou um debate sobre se os executivos teriam segundas intenções, como estabelecer regras que preservem a liderança de suas empresas, antecipar-se a uma reação mais ampla dos governos ou simplesmente frear os gastos em ritmo vertiginoso.
Smith, da Microsoft, disse que o país mais bem posicionado para liderar a regulamentação da IA era o Reino Unido, devido ao Instituto de Segurança de IA, criado durante o governo do ex-primeiro-ministro Rishi Sunak.
Smith afirmou que autoridades em Washington veem Londres de forma muito diferente de como veem Bruxelas, que regulamenta a IA com base no nível de risco por meio de sua lei de IA.
O instituto britânico obtém acesso aos principais modelos de IA antes de seu lançamento, por meio de acordos voluntários, o que lhe permite avaliar suas capacidades e seus riscos.
O ministro da IA, Kanishka Narayan, disse à Reuters que o Reino Unido consideraria regulamentar modelos avançados caso o sistema atual se mostrasse insuficiente.
Autor: Folha








.gif)












