
O Brasil enfrenta um risco elevado de alta nos preços dos alimentos devido à dependência de fertilizantes importados. Com restrições de exportação na China e na Rússia, além de tensões no Irã, o país vê sua segurança alimentar ameaçada pela estagnação da produção nacional de insumos agrícolas.
Como a situação internacional afeta o preço da comida no Brasil?
O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que usa. Quando países como Rússia e China restringem suas vendas para proteger seus próprios mercados, ou quando há guerras no Oriente Médio, o preço desses produtos sobe. Como o fertilizante é essencial para plantar, esse custo extra acaba sendo repassado para o bolso do consumidor na hora de comprar alimentos.
Por que a Rússia e a China decidiram limitar as exportações?
A Rússia suspendeu temporariamente o envio de nitrato de amônio e a China restringiu o fosfato para garantir que seus agricultores internos tenham acesso a adubos baratos. A Rússia é o nosso maior fornecedor, respondendo por quase 26% das importações, e a China é a terceira maior. Essas decisões reduzem a oferta mundial e fazem os preços dispararem nas janelas de plantio.
O que é o Plano Nacional de Fertilizantes e por que ele não avançou?
É uma estratégia lançada para reduzir a dependência externa do Brasil para cerca de 50% até 2050. No entanto, o plano está parado por falta de vontade política e investimentos. Segundo especialistas, o Brasil não aprendeu com crises passadas, como o início da guerra na Ucrânia em 2022, mantendo gargalos que impedem as fábricas nacionais de competirem com o produto importado.
Quais são os principais obstáculos para produzir fertilizantes no Brasil?
O maior problema é o custo do gás natural, usado para fazer fertilizantes nitrogenados; ele chega a custar sete vezes mais no Brasil do que nos Estados Unidos. Além disso, há entraves na Justiça e questões ambientais para minerar potássio na Amazônia. Existe ainda a ‘tarifa inversa’, uma carga de impostos que torna o produto fabricado aqui mais caro do que o que vem de fora.
Existe risco de faltar adubo para a próxima safra brasileira?
Não há um risco imediato de falta total, pois muitos produtores já compraram o que precisam para agora. O sinal de alerta está aceso para o segundo semestre de 2026. Se as restrições russas e chinesas continuarem, as novas cargas chegarão com preços muito altos ou em menor quantidade, o que pode prejudicar o início do novo ciclo de plantio e gerar inflação.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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Autor: Gazeta do Povo








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