
Uma semana após a realização das eleições presidenciais, o Peru ainda não tem definido quem disputará o segundo turno. O cenário incomum tem gerado incerteza política, tensão nas ruas e questionamentos sobre o processo eleitoral.
A previsão oficial é que o resultado só seja conhecido na segunda quinzena de maio, cerca de um mês depois da votação. A demora é fruto de problemas operacionais, disputas políticas e regras do próprio sistema eleitoral peruano.
O principal motivo para o atraso está no volume elevado de atas eleitorais que precisam ser revisadas. Segundo a autoridade eleitoral, mais de 15 mil atas foram contestadas e devem passar por análise antes da validação final do resultado.
“Nós prevemos, por volta da metade de maio, ter pelo menos os resultados presidenciais, que é o que precisamos para determinar o segundo turno”, afirmou Yessica Clavijo, secretária-geral do órgão eleitoral, em entrevista à rádio RPP.
O processo eleitoral também foi afetado por falhas na organização no dia da votação, especialmente na capital, Lima. Atrasos na distribuição de urnas e cédulas impediram a abertura de seções eleitorais no horário previsto. Em alguns casos, a votação precisou ser estendida para o dia seguinte para permitir que dezenas de milhares de eleitores participassem.
A lentidão da apuração se torna ainda mais sensível porque a disputa por uma vaga no segundo turno está extremamente acirrada. Com mais de 93% das atas contabilizadas, a candidata de direita Keiko Fujimori lidera com cerca de 17% dos votos.
Já a segunda vaga está em aberto, com o esquerdista Roberto Sánchez e o direitista Rafael López Aliaga separados por pouco mais de 14 mil votos, segundo informações da agência EFE desta segunda-feira (20). Ex-prefeito de Lima, Aliaga pede a “anulação total” do processo, alegando “fraude eleitoral”.
O líder do Renovação Popular ofereceu uma recompensa de US$ 5.800 (R$ 28,8 mil) para quem fornecer provas de irregularidades e realizou uma marcha com apoiadores neste domingo (19). “Irmãos, estão roubando o país de nós. O que estamos vivendo agora foi planejado. Nunca na história do Peru se viu algo assim”, afirmou o candidato durante protesto em Lima.
O segundo turno das eleições do Peru está previsto para 07 de junho.
Autor: Gazeta do Povo








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