A sugestão de que o Irã deveria ser substituído pela Itália na Copa do Mundo deste ano gerou uma mistura de constrangimento e apatia entre os torcedores da Azzurra nesta quinta-feira (23), com a mídia italiana lembrando aos leitores que a ideia soa muito familiar.
Paolo Zampolli, enviado especial dos Estados Unidos de Donald Trump, disse ao Financial Times que fez a sugestão ao presidente americano e ao presidente da Fifa (Federação Internacional de Futebol), Gianni Infantino.
“Sou italiano de nascimento e seria um sonho ver a Azzurra em um torneio sediado nos Estados Unidos. Com quatro títulos, eles têm o histórico para justificar a inclusão”, disse Zampolli, um ítalo-americano que é enviado de Trump para “Parceria Global”, mas não tem conexão oficial com a Copa do Mundo ou com o futebol italiano.
O plano parece ser um esforço para reparar as relações entre Trump e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, depois que os dois se desentenderam em meio aos ataques do presidente americano contra o Papa Leão 14 por causa da guerra com o Irã.
Os principais sites de notícias esportivas da Itália deram apenas uma breve menção à história.
O ministro do Esporte, Andrea Abodi, disse à agência de notícias italiana LaPresse: “Em primeiro lugar, não é possível; em segundo lugar, não é apropriado… A classificação se conquista em campo”.
O ministro da Economia, Giancarlo Giorgetti, foi mais longe, dizendo que a ideia era “vergonhosa”.
O renomado técnico italiano Gianni De Biasi disse à Reuters que era uma proposta improvável, já que qualquer ausência teórica do Irã seria logicamente preenchida pela equipe que ficou atrás deles no grupo de qualificação.
“Além disso, acredito que a Itália não precisa do apoio de Trump em uma questão como essa. Acho que podemos nos virar sozinhos”, disse ele.
A Fifa, entidade máxima do futebol mundial, respondeu apontando para os comentários anteriores de Infantino sobre a participação do Irã.
“A seleção iraniana virá, com certeza”, disse ele no Fórum CNBC Invest in America na semana passada: “O Irã tem que vir se quiser representar seu povo. Eles realmente querem jogar, e devem jogar. O esporte deve estar fora da política”.
Itália fora da terceira Copa do Mundo consecutiva
A Casa Branca, a Federação Italiana de Futebol e a Confederação Asiática de Futebol não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters.
Atualmente, não há nenhuma indicação de que o Irã vá se retirar ou ser banido do torneio, do qual a Itália ficou de fora após perder em uma repescagem pela terceira Copa do Mundo consecutiva.
O Irã se classificou para sua quarta Copa do Mundo seguida no ano passado, mas, após o início da guerra, solicitou que a Fifa transferisse as três partidas do grupo da equipe dos EUA para o México —o que foi rejeitado.
O Irã aparentemente está prosseguindo conforme planejado. “Estamos nos preparando e fazendo os arranjos para a Copa do Mundo, mas somos obedientes às decisões das autoridades”, disse o presidente da federação iraniana de futebol, Mehdi Taj, a repórteres em um comício pró-governo em Teerã na quarta-feira.
“Por enquanto, a decisão é que a seleção nacional esteja totalmente preparada para a Copa do Mundo.”
Quatro anos atrás, Zampolli, quando era embaixador nas Nações Unidas, escreveu a Infantino dizendo que “o mundo exige” que ele desclassificasse o Irã devido ao histórico de violações dos direitos humanos do país e o substituísse pela Itália.
O pedido foi ignorado, e o Irã participou e foi eliminado após a fase de grupos, tendo perdido para Inglaterra e Estados Unidos e vencido o País de Gales.
No cenário aparentemente improvável de o Irã ser excluído do torneio deste ano, a decisão sobre quem o substituiria está nas mãos da Fifa, que, de acordo com o artigo seis do regulamento da Copa do Mundo, tem liberdade para convocar qualquer nação que escolher para preencher a vaga.
Seria esperado que a AFC fizesse forte lobby para que a substituição viesse da Ásia, sendo os Emirados Árabes Unidos, que perderam uma repescagem classificatória para o Iraque em novembro passado, a escolha óbvia.
A Copa do Mundo, que também está sendo co-sediada por México e Canadá, começa em 11 de junho, com o Irã programado para iniciar sua campanha contra a Nova Zelândia em Los Angeles quatro dias depois.
Autor: Folha








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