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Em ‘Solo’, Marcella Franco fala sobre criar filho sozinha – 25/04/2026 – Equilíbrio

Se existe algo que a espécie humana faz com maestria é o cuidado com os filhos. Aquela história toda de gerar filhotes incapazes de sobreviver sozinhos por bastante tempo, que precisam de um cuidado constante até conseguirem se alimentar, andar e basicamente seguir a própria vida, parece ter atingido o seu máximo adaptativo no Homo sapiens.

Ao longo dos mais de 300 mil anos desde que os sapiens surgiram na Terra, formamos núcleos familiares com pai, mãe, irmãos e demais parentes para sobrevivermos.

No entanto, nas sociedades modernas, diversos fatores sociais impactam essa composição, e arranjos monoparentais têm se tornado mais presentes.

Em “Solo” (ed. Bazar do Tempo), a jornalista e escritora Marcella Franco, ex-editora de Folhinha e Folhateen desta Folha, conta a sua experiência de maternidade solo e também por meio do olhar do seu filho.

O livro será lançado oficialmente neste sábado (25), às 15h, na Livraria da Tarde, em São Paulo, com debate entre a autora e Vera Iaconelli, psicanalista e colunista da Folha.

A obra traz, de um lado, a perspectiva de Marcella, com dúvidas recorrentes da monoparentalidade e, de outro, relatos do filho sobre momentos de conexão com a mãe.

“‘Solo’ veio de dois caminhos confluentes. Primeiro, minha própria experiência de maternidade solo, pois fomos apenas eu e meu filho até ele completar dez anos, quando conheci meu atual companheiro —e padrasto dele. E eu percebi que essa responsabilidade de educar alguém, manter-se saudável e, sobretudo, ser feliz, recaindo sobre um único indivíduo, é compartilhada com todo mundo que vive a criação de uma criança sozinha”, diz.

“Em paralelo a isso veio a minha experiência na Folhinha, em que durante muitos anos editando esse caderno pude ouvir muitas famílias. E muitas vezes a criança contava sua experiência. Fui percebendo que elas eram muito gentis com os adultos que as cercavam, e comecei a pensar ‘será que a maternidade solo, do ponto de vista da criança, pode ser assim também, generosa?'”, indaga.

Com ilustrações de Paula Schiavon, algumas dessas situações são descritas no livro. Enquanto a personagem principal —um misto de ficção e experiência de Franco— questiona se está sendo uma mãe suficientemente boa enquanto tenta equilibrar mil pratos, tudo parece diversão aos olhos da criança.

“Eu não gosto de me colocar no pior lugar do mundo porque, ainda que tenha ficado sozinha com ele muito cedo, eu sei que há pessoas que criam filhos com muito menos do que eu tive. Hoje eu consigo olhar e penso que foi puxado, mas quando se está vivendo no meio do turbilhão, você nem se dá muita conta.”

De fato, considerando os últimos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2024, aproximadamente 3 em cada 10 lares brasileiros são chefiados por mulheres que também são mães solo, um universo que soma quase 11 milhões de pessoas.

É em um cenário como esse que Franco conta com a autoficção para representar alguns episódios, como, por exemplo, as comemorações de Dia dos Pais na escola de seu filho e do personagem do livro: “Eles decidiram que ia ser um dia de jogo de futebol só com os pais, e eu era a única mulher [mãe] no campo. Esta situação realmente aconteceu”.

Se hoje esses papéis de gênero são colocados sob uma lupa de aumento, há também uma pressão, principalmente vinda das redes sociais, de ser “mãe perfeita”. De acordo com uma pesquisa publicada na última quinta-feira (23) na revista Computers in Human Behavior, visualizar apenas conteúdos de “maternidade idealizada” nas redes pode trazer danos à saúde mental de mães de primeira viagem, especialmente àquelas propensas a comparações sociais, além de aumento de ansiedade, inveja e diminuição de confiança em suas próprias habilidades como cuidadoras.

Franco criou o filho em uma época em que essas ferramentas ainda não existiam, então ela não viveu essa pressão. A sua dica vinda do futuro para mães é que o perfeito é inatingível. “Eu acho que existe talvez uma ilusão de querer fazer o melhor, o que é o certo, e esse é um conceito abstrato. O ideal não existe. Temos que ser mais gentis com nós mesmas”, avalia.

Autor: Folha

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