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Macho que é macho ri de si mesmo, pô!

O ator Juliano Cazarré anunciou um curso para ensinar homens a serem homens. Ou para resgatar a masculinidade que todo homem tem dentro de si. E eu sei que aí está rindo da frase anterior. Foi de propósito. Porque é impossível falar de macho sem parecer um bocado menos macho. Paciência. O fato é que o ator Juliano Cazarré anunciou o curso e foi um tremendo auê. “Um tremendo auê”. Taí uma expressão que de masculina não tem nada.

Mas vai assim mesmo. Faz parte da piada e, por falar em piada, além da inútil campanha de cancelamento Cazarré também foi alvo de um vídeo satírico feito por aquele que acho que posso dizer que é o maior esquerdomacho do Brasil, né? Posso? Não posso? Então tá. Não tá mais aqui quem falou. De qualquer forma: Fábio Porchat fez um vídeo satírico rindo do curso do Juliano Cazarré. Normal. O problema é que os machos ficaram todos melindrados com as piadinhas razoáveis do Porchat.

Não sou especialista

Todos não, vai. Alguns. Os mais histéricos. Aqueles que mais precisam do curso do Cazarré, porque… convenhamos: macho que é macho tem que ter bom humor. Não pode ficar com essa coisa de hipersensibilidade, ai, ai, ai, tiraram sarro de mim. Pô, moçada, fragilidade emocional não combina com virilidade. Macho que é macho tem que ter casca grossa. Tem que responder piada com piada. Rir dos inimigos. Das vicissitudes. Aliás, tem que saber o significado de “vicissitude” ou no mínimo ser capaz de consultar um dicionário.

Pelo menos acho que é assim. Não sei. Não sou especialista. Nem em macho nem em masculinidade. Mas de bom humor (e falta de bom humor) entendo um pouquinho. O suficiente para encerrar esta crônica dizendo que, mais do que os níveis de testosterona no sangue, é a piada, sobretudo a piada autodepreciativa, a marca do homem-com-h. Homem de verdade. Aquele cuja masculinidade sempre estará em crise e é bom que seja assim. Porque, antes de ser ou não macho, o homem-que-é-homem se sabe humano. Isto é, imperfeito e falho. Em crise eterna. Uma lástima ambulante. Digna, pois, do riso.

Autor: Gazeta do Povo

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