
A investigação que culminou na prisão preventiva do deputado estadual Thiago Rangel (Avante-RJ), do seu chefe de gabinete, Fabio Pourpaix, de Azevedo e da diretora regional de Educação Noroeste na Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro (Seeduc), Júcia Figueiredo, encontrou indícios da existência de uma organização criminosa focada em desvio de dinheiro público e lavagem de dinheiro que pertencia ao guarda-chuva de influência do o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União).
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes detalhou as conclusões da quarta fase da operação Unha e Carne, deflagrada nesta terça-feira (5) na decisão em que determinou as prisões e afastamentos. O documento demonstra a relação entre o esquema revelado pela operação Postos de Midas e a operação Unha e Carne, que agora mira obras suspeitas em escolas estaduais.
“O esquema consistiria no direcionamento de obras de reformas em Escolas Públicas Estaduais do Norte Fluminense – região de influência política tanto de Rodrigo Bacellar quanto do Deputado Estadual Thiago Rangel Lima – para empresas pré-ajustadas com os integrantes da Organização Criminosa, viabilizando o posterior repasse de recursos públicos desviados para os membros da organização criminosa”, diz a decisão.
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Descobertas surgiram de computador apreendido no gabinete de Bacellar
As novas revelações vieram do computador apreendido no gabinete de Bacellar, apontado como líder e “verdadeiro responsável” pelo grupo tido como criminoso. O equipamento continha uma planilha com a lista dos deputados estaduais e os campos “o que tem” e “o que está pedindo”.
De acordo com a planilha, Rangel teria poder para diversas indicações, incluindo três a “Ipem Campos”, identificadas como pertencentes à Superintendência Regional de Campos dos Goytacazes do Instituto de Pesos e Medidas do Rio de Janeiro (Ipem-RJ).
Ocorre que o cargo de superintendente foi ocupado, dias após a criação da planilha, por Pourpaix, preso em 2022 sob a acusação de compra de votos em favor de Rangel. Em trocas de mensagens com o parlamentar, o braço direito do deputado estadual fala em atirar no carro e agredir uma pessoa não mencionada, com o intuito de que a vítima abandonasse um cargo na Empresa Municipal de Habilitação da Prefeitura de Campos dos Goytacazes (Emahb).
“Sob a administração de Rodrigo Bacellar, a Alerj potencializou sua influência na tomada de decisões que estariam inseridas no rol de prerrogativas do Governador do Estado, como por exemplo a nomeação dos Secretários de Fazenda, Assistência Social, Educação, Polícia Militar e, certa vez, Polícia Civil”, diz o relatório da PF citado por Moraes.
Na mesma operação, os investigadores descobriram uma organização criminosa destinada a fraudar contratações na Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes e na Emhab. O esquema seria facilitado por um vínculo com o então prefeito do município fluminense, Wladimir Garotinho (PP). Os recursos desviados seriam lavados através de uma rede de postos de combustíveis administrada por Rangel, por meio de laranjas.
“Acredita-se que o esquema criminoso seja mais amplo e tenha sido estruturado em todo o Estado do Rio de Janeiro, com base no apoio político dado a Rodrigo Bacellar. Entretanto, no bojo da Operação Postos de Midas, apenas parte do esquema fora revelado, sendo a presente peça limitada, dessa forma, à Diretoria Regional Noroeste, da Seeduc”, conclui.
O que diz a defesa de Thiago Rangel
Por meio das redes sociais do parlamentar, os advogados divulgaram uma nota:
“A defesa do deputado Thiago Rangel recebeu com surpresa a notícia da operação realizada na data de hoje.
Neste momento, está se inteirando dos fatos, do teor da investigação e das medidas eventualmente determinadas, reafirmando desde logo a plena confiança nas instituições e devido processo legal.
O deputado nega a prática de quaisquer ilícitos e prestará todos os esclarecimentos necessários nos autos da investigação, local próprio para a apuração dos fatos.
A defesa ressalta, por fim, que qualquer conclusão antecipada é indevida antes do conhecimento integral dos elementos que fundamentaram a medida.”
A Gazeta do Povo também entrou em contato com a defesa de Bacellar tenta contato com as defesas de Júcia e Pourpaix. O espaço segue aberto para manifestação.
Autor: Gazeta do Povo








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