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Temperamento é um dos problemas de Neymar – 06/05/2026 – Marcelo Bechler

O incidente de domingo (3) entre Neymar e Robinho Jr. é mais um capítulo da série dramática sobre o desejo do atacante de jogar a Copa do Mundo. Enquanto se esforça para jogar bem e seu desempenho técnico é analisado com lupa, o comportamento fora de campo ganha o mesmo protagonismo —e graças ao próprio Neymar.

Apenas em 2026 já vimos o camisa 10 discutir com torcedor, sugerir que um árbitro estava menstruado pelas decisões em campo, postar os dados físicos do time do Santos, comentar um post da TNT Sports no Instagram e, por último, não aceitar um drible e partir para cima de um companheiro.

O que chama a atenção não é qualquer uma dessas atitudes isoladas, mas, sim, o conjunto delas. Pode ser algo sem importância, com o que alguém se irrite em um treinamento. É aceitável que um jogador não goste de algo que escutou da arquibancada e retruque o torcedor. Irritar-se com um árbitro não é nada incomum.

A questão é que tudo isso aconteça com Neymar em um período de dois meses e meio, desde que fez seu primeiro jogo no ano. A reincidência de perda de cabeça reflete um jogador frustrado, ansioso e quase desesperado para que as coisas aconteçam como ele planejou.

Desde que retornou para o futebol brasileiro, Neymar custou a ter uma sequência física em 2025. Preparou-se bem em janeiro e atuou 12 vezes, ficando de fora em nove partidas desde que estreou. Fez cinco gols e também tomou cinco cartões amarelos.

O desempenho técnico é oscilante. Alguns bons momentos, alguma faísca e detalhes técnicos. Quase sempre uma sensação de que está longe de ser o que já foi. Dificuldade de mudar de ritmo, direção e explosão em velocidade. Quando algum passe não é acompanhado por seus companheiros, viu-se mais de uma vez queixar-se, sem medo de se esconder, com expressões como “bando de burros”.

Neymar não consegue jogar bem como ele queria e como Ancelotti desconfia que não possa mais jogar. Esse “querer mas não poder” me parece um gatilho para essas explosões de ira. O árbitro, a imprensa, os adversários, as redes sociais, os companheiros de time, o garoto que o desafia no treino. Tudo e todos parecem conspirar contra seu plano particular de se destacar e chamar a atenção do treinador da seleção.

No entanto, os episódios comportamentais podem trazer um preço alto demais. Ainda que Carlo Ancelotti se convença de que Neymar esteja física e tecnicamente apto, ter uma bomba-relógio emocional por 50 dias ao seu lado pode gerar um desgaste que o treinador prefira evitar.

A Copa do Mundo é um misto de futebol e tensão e manter 26 jogadores em um ambiente saudável sob tanto estresss é um desafio.

É claro que, caso seja convocado, os motivos da flagrante ansiedade podem desaparecer. Mas vale pagar para ver? A troca de farpas pública com a imprensa, a discussão com torcedores, as rusgas em treinos e as reclamações acintosas com o árbitro vão ficar em Santos e um Neymar “paz e amor” estará focado apenas no futebol na Copa do Mundo?

Não bastassem as dúvidas que seu desempenho gera, existem cada vez mais motivos para duvidar que a cabeça pode tirar Neymar da Copa —até mais que seus pés.


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Autor: Folha

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