O CEO da companhia aérea LATAM do Brasil, Jerome Jacques Cadier, declarou nesta terça-feira (5) que o fim da escala 6×1, de acordo com o texto em discussão no Congresso, poderia inviabilizar a operação internacional de voos com origem ou destino ao Brasil. Ele acredita que os trabalhadores do setor deveriam ficar fora destas mudanças.
A avaliação foi feita durante uma coletiva dos resultados do primeiro trimestre da companhia. Para Cadier, a inclusão de pilotos e comissários impediria realização de voos com duração superior a oito horas, que é a faixa em que se enquadram a maior parte das rotas que ligam o Brasil a países de outros continentes.
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“Alguns projetos (de redução de jornada) incluem até aeronautas, os tripulantes e os pilotos nas mudanças da escala de trabalho. O que obviamente não faz sentido nenhum. Se um projeto assim for implementado, o Brasil não vai ter mais operação internacional, pois não poderemos operar voos de mais de oito horas. Então acaba toda a operação internacional”, alertou.
Números da Associação Brasileira das Empresas de Serviços Auxiliares de Transporte Aéreo (Abesata) indicam que 53,2% dos trabalhadores do transporte aéreo formalizados no país atuam atualmente em escala 6×1, e a adoção do modelo 5×2 em operações contínuas poderia elevar custos operacionais em pelo menos 20%.
Esquerdista reage
Autora da proposta de emenda à Constituição que reduz a jornada de trabalho, a deputada federal Erika Hilton reagiu à notícia da declaração do CEO. Em tom irônico, Erika afirma que uma escala reduzida não impediria franceses de viajarem para fora da França.
“Ah, sim, agora o fim da escala 6×1 vai acabar com os voos internacionais. É por isso que nunca vimos um francês fora da França, onde a jornada semanal é de 35 horas. Eles tão presos lá que nem no filme dos Simpsons. O Macron veio nadando pra COP30. Tenham vergonha na cara!”, escreveu a psolista no X.
A proposta de acabar com a escala 6×1 entrou em fase decisiva no Congresso, depois de uma queda de braço de parlamentares com o governo. O presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) avançou com o tema por meio de duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs), que foram aprovadas na CCJ no dia 22 de abril.
Nesta terça, o deputado federal Mauricio Marcon (PL-RS) protocolou o projeto de Lei 2174/2026, que fixa o salário-mínimo em R$ 100 mil. Além do valor inicial, o texto prevê correções anuais posteriores de, no mínimo, 50% sobre o valor nominal estabelecido. A proposta é uma forma de ironizar a iniciativa que reduz a jornada sem reduzir salário, sugerindo que não seria possível manipular por lei a renda gerada com trabalho.
Autor: Gazeta do Povo




















