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Luiz Carlini, lendário herói da guitarra do rock brasileiro, deixa músicas e solos antológicos ao morrer aos 73 anos


Luiz Carlini (1952 – 2026) criou o antológico solo de guitarra ouvido ao fim da gravação original da canção ‘Ovelha negra’
Divulgação
♫ OBITUÁRIO
♬ Bastaria somente o antológico solo de guitarra ouvido ao fim da gravação original da balada “Ovelha negra” (Rita Lee, 1975) para imortalizar o músico e compositor paulistano Luiz Sérgio Martins Carlini (31 de agosto de 1952 – 7 de maio de 1956) na história da música brasileira. Mas Luiz Carlini – como era conhecido o grande guitarrista – fez muito mais, a ponto de ganhar o justo status de lenda do rock. E por isso a notícia da morte do artista abala o universo pop brasileiro.
Luiz Carlini morreu na noite de ontem, 7 de maio, aos 73 anos, em hospital da cidade natal de São Paulo (SP). de causa não revelada pela família no comunicado postado em rede social com a noticia do falecimento do artista.
Guitar hero do rock brasileiro, Carlini sai de cena em plena atividade. Integrava atualmente a banda arregimentada pelo cantor Guilherme Arantes para o show da turnê “50 anos luz”.
A propósito, o título da atual turnê de Arantes bem poderia sintetizar a trajetória luminosa de Carlini ao longo de 50 e poucos anos de contribuição fundamental para a construção da identidade nacional do rock made in Brasil. Assistente de palco do grupo Os Mutantes, Luiz Carlini começou a fazer história quando fundou em 1973 a banda Tutti Frutti.
O grupo paulistano ancorou Rita Lee (1947 – 2023) após a turbulenta saída da cantora dos Mutantes. Lançado em 1975, com a canção “Ovelha negra” no repertório, o segundo dos quatro álbuns da banda com Rita, “Fruto proibido”, é o marco dessa fase.
Um dos sucessos do álbum, o rock “Agora só falta você” (1975) é a música mais conhecida da parceria de Carlini com Rita, com quem o guitarrista também compôs “Lá vou eu” (canção feita em 1975 para a trilha sonora da novela “O grito”), “Com a boca no mundo” e “Corista de rock”, entre outras músicas.
Mestre de guitarristas como Roberto Frejat, Carlini criou um toque particular no manejo do instrumento, delineando com sua guitarra Gibson Les Paul a sonoridade do grupo Tutti Frutti e criando assinatura própria calcada no mix de blues-rock com hard rock. Admirador tanto do rock progressivo quanto da Jovem Guarda, Carlini foi guitarrista gigante que nunca apelou para exibicionismo técnico.
Longe de querer mostrar virtuosismo com riff furiosos, Carlini sabia ser agressivo, mas preferia imprimir sentimento ao toque da guitarra e dava preferência aos solos melódicos e aos fraseados que grudavam na mente do ouvinte. Defendia que um solo de guitarra era parte da música, não um organismo independente.
Com a saída de Rita do Tutti Frutti, Carlini saiu dos holofotes, mas manteve o grupo e, com o tempo, se espraiou na música brasileira, tocando com vários artistas, entre eles Erasmo Carlos (1941 – 2022), que gravou música de Carlini, “Rádio patroa”, no álbum “Abra seus olhos” (1986). Na década de 1990, Carlini atuou como guitarrista convidado da banda Camisa de Vênus, de Marcelo Nova.
Todo o imenso legado de Luiiz Carlini no rock brasileiro foi historiado pelo cineasta Luiz Carlos Lucena no documentário “Luiz Carlini – Guitarrista de rock” (2022). Grande nome do rock nativo, Luiz Sérgio Martins Carlini foi herói da guitarra quando roqueiro brasileiro ainda tinha cara de bandido.

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