Por Tânia Rabello
Quando o assunto é negócio o pragmatismo fala mais alto do que a política. Na sexta-feira 8 de maio, questionado sobre o encontro na véspera entre o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, defendeu que diferenças políticas fossem deixadas de lado e que assuntos estratégicos fossem tratados de forma técnica. Objetividade bem diferente do que se via nas redes sociais, tanto à esquerda quanto à direita, com cada qual elogiando ou criticando a reunião entre os dois mandatários, conforme sua orientação política.
Esse pragmatismo também ficou patente na 31ª Agrishow, encerrada no dia 1º de maio, em Ribeirão Preto (SP). Na maior feira de máquinas agrícolas da América Latina – vitrine tanto para o que há de mais moderno em tecnologia e equipamentos quanto para políticos, ainda mais em ano eleitoral -, empresários do setor, ávidos por melhorar o desempenho de um mercado que encolheu nos dois últimos anos, receberam de bom grado notícias de mais crédito para o financiamento de máquinas agrícolas.
Logo na abertura oficial do evento, em 26 de abril, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, anunciou R$ 10 bilhões com recursos do Finep para aquisição de tratores e outros equipamentos. Políticos de oposição ao governo federal, como o secretário da Agricultura de São Paulo, Geraldo Melo Filho, chamaram a linha de crédito fantasma: “Quase ninguém acredita que existe e, mesmo os que acreditam, não conseguem tocar nesse dinheiro”.
Executivos de montadoras de máquinas entrevistados pelo Broadcast Agro ao longo da Agrishow avaliaram, porém, que os recursos podem dar um sprint nas vendas. “O que vier para ajudar é bem-vindo”, disse um deles. “Todo e qualquer financiamento que beneficie o agricultor é muito bem-vindo”, disse outro executivo. “É um sinalizador importante”, arrematou um terceiro.
Opinião bem diferente da que quiseram impingir os políticos de oposição, sobretudo os presidenciáveis, em seus discursos e entrevistas durante visita à feira, para reforçar o cenário de contração no último ano do atual governo. O presidenciável Ronaldo Caiado (PSD-GO), provavelmente ecoando as redes bolsonaristas, indagava, em coletiva de imprensa: “Por que a Agrishow deste ano está vazia?”. Mas um dos organizadores da feira, disse ao Broadcast Agro, momentos antes, que o público era o mesmo do ano passado, situação que, ao fim do evento, no dia 1º de maio, se confirmou: 197 mil.
Em apenas um ponto tanto a ala política quando a empresarial concordaram: os juros altos. Nesse quesito o coro era um só. Todo mundo criticou.


















