
Mais um escândalo. Deve ser o 2398º do ano. Não sei, perdi as contas. Desta vez, o envolvido é o senador Ciro Nogueira, figurinha carimbada do Centrão e frequentador assíduo das sombras do poder em Brasília. Um escândalo de corrupção envolvendo o Banco Master, emendas parlamentares e luxo. Outro escândalo. Seguramente não o último. E eu aqui perguntando: tá, e daí? Uma pergunta para a qual não espero resposta porque amanhã já tem escândalo novo.
Assim, tentando conter o enfado e ao mesmo tempo tirar algo de útil dessa mistura quase sempre improdutiva de escândalo e indignação, eis que fico sabendo que o senador Ciro Nogueira divulgou uma nota reveladora em que, obviamente, se diz inocente, diz que tudo é mentira e perseguição política (tadinho) e que, mais uma vez, estão querendo macular sua imaculada honra. Que dó, gente! Como vocês ousam manchar a honra do probíssimo senador Ciro Nogueira assim?
Povo
Ao ler a nota indignadíssima do idoneíssimo senador, que diz coisas como “nunca vou abandonar o povo [do Piauí, um dos estados mais miseráveis do Brasil]” e que pergunta cinicamente “quem devolve a honra de uma pessoa depois de um ataque tão maligno e sem fundamentos como esse?”, só conseguia ouvir a voz marcante do saudoso Paulo Gracindo conclamando o “povo de Sucupira” na antológica O Bem Amado – novela do tempo em que a teledramaturgia ainda se dedicava a satirizar, e não bajular, o poder.
Mais do que uma divertida peça nesse realismo para lá de fantástico (e deprimente) em que vivemos, porém, a nota é reveladora. Assim como são as denúncias contra o senador. Estas porque mostram um homem rendido ao mundo e escravo de prazeres mesquinhos, que não aprendeu nada com a “perseguição” de que teria sido vítima em 2018. E aquelas porque deixam claro que Ciro Nogueira e os da sua laia não fazem a menor ideia do que significa honra. E até por isso agem como agem. Como podem. Como ousam.
Autor: Gazeta do Povo








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