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Relembre outros produtos suspensos pela Anvisa como os da Ypê

A suspensão de diversos lotes de produtos de limpeza da Ypê, na semana passada, por decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) gerou as mais diversas reações entre consumidores, no mercado e até na arena política.

Figuras públicas, influenciadores e apoiadores de partidos ligados à direita levantaram a suspeita de que a medida poderia ter motivação política, por tratar-se de iniciativa de um órgão do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra uma empresa conhecida por fazer doações de campanha ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O argumento da Anvisa para proibir a venda e determinar o recolhimento de lotes de final 1 de detergentes, lava-roupas e desinfetantes da Ypê foi a detecção de risco de contaminação em razão de irregularidades no processo de fabricação na unidade da Química Amparo, no interior de São Paulo.

A fabricante reagiu rapidamente às determinações utilizando vias jurídicas e administrativas e conseguiu suspender a decisão. “Temos fundamentação científica robusta, baseada em testes e laudos técnicos independentes, de que nossos produtos são seguros e não representam risco ao consumidor”, diz a companhia em nota oficial.

Apesar da repercussão atípica, o caso dos produtos da Ypê não é isolado. Somente entre o dia 1º de janeiro e esta segunda-feira (11), a agência já adotou 272 medidas cautelares contra produtos irregulares a partir de ações de fiscalização.

Entre os produtos que tiveram venda suspensa ou proibida ou lotes recolhidos há alimentos, cosméticos, medicamentos, saneantes, insumos farmacêuticos e dispositivos médicos e para diagnóstico in vitro.

Relembre alguns casos recentes de maior repercussão dos últimos anos:

Molhos de tomate, mostarda, ketchup, maionese e conservas da Fugini

Um dos casos de maior repercussão no setor alimentício foi a suspensão da fabricação, comercialização e distribuição de todos os produtos da Fugini fabricados pela planta de Monte Alto (SP), o que incluía molhos de tomate, mostarda, ketchup, maionese e conservas. O episódio ocorreu no fim de março de 2023

A fiscalização da Anvisa afirmou ter encontrado falhas graves de boas práticas de fabricação (higiene, controle de pragas e rastreabilidade). Houve ainda um recall específico de lotes de maionese que haviam sido fabricados com o ingrediente principal (óleo) já vencido.

A fábrica ficou parada, mas a empresa agiu rápido nas adequações sanitárias e, após uma nova inspeção rigorosa, conseguiu a liberação para retomar a fabricação e venda de grande parte dos produtos logo no início de abril. Os lotes de maionese com ingredientes vencidos foram destruídos.

Balas e doces da Dori

Em agosto de 2024, a atuação da Anvisa mirou diversos lotes de doces bastante populares da Dori Alimentos, como as balas Hortelã Recheada, Bolete, Morango e Framboesa. Os produtos apresentaram risco iminente de contaminação por Salmonella, bactéria que pode causar infecções gastrointestinais severas.

A empresa anunciou um recall de grandes proporções. A marca teve que recolher toneladas de produtos do varejo nacional. Os consumidores foram amplamente orientados pela Anvisa a não consumir os doces dos lotes listados e a solicitar reembolso direto com a fabricante.

Sorvetes Häagen-Dazs

Entre julho e agosto de 2022, potes de sorvete de sabores específicos da marca americana Häagen-Dazs, como Vanilla Macadamia Nut, foram recolhidos do mercado. Tratou-se, neste caso, de uma ação global, que respingou nas prateleiras dos supermercados brasileiros de alto padrão.

A Anvisa determinou o recolhimento dos potes após a identificação de óxido de etileno no extrato de baunilha usado na receita. A substância química é classificada como mutagênica e carcinogênica.

Os produtos importados de determinados lotes foram banidos do Brasil, e a marca (pertencente à General Mills) promoveu a substituição de fornecedores na cadeia global de suprimentos.

Fórmulas infantis da Nestlé

Em janeiro deste ano, a agência determinou o recolhimento preventivo de lotes específicos de fórmulas infantis da Nestlé Brasil, incluindo das linhas Nestogeno, Nan Supreme Pro e Nan Sensitive.

A medida foi tomada após a identificação do risco de presença de cereulide, uma toxina termoestável produzida pela bactéria Bacillus cereus, cujo consumo poderia causar reações gástricas agudas e letargia em bebês. O patógeno foi detectado um óleo fornecido por uma empresa terceira na Europa.

A multinacional negou o risco à saúde de crianças, mas atendeu às determinações da Anvisa. “Nenhum caso de sintoma adverso foi relatado até o momento no Brasil ou em qualquer parte do mundo”, ressaltou a Nestlé Brasil, caracterizando a ação como puramente preventiva. Os lotes indicados foram recolhidos, e a compra do insumo com o fornecedor original foi suspensa. A Nestlé substituiu a matéria-prima, estabeleceu testes ainda mais rígidos e os demais produtos seguiram disponíveis.

Atum ralado enlatado Cellier

Em julho de 2023, a Anvisa proibiu a venda de um lote específico de atum ralado em óleo da marca Cellier após a ocorrência de um surto de intoxicação alimentar associado ao produto. A suspeita recaiu sobre falhas no processamento térmico da lata na indústria, um problema crítico em enlatados, pois a falta de esterilização adequada abre margem para o desenvolvimento de bactérias letais, como a causadora do botulismo.

O lote específico foi totalmente retirado de circulação por oferecer risco grave à saúde pública, enquanto a produção de novos lotes seguiu sob maior vigilância.

Produtos de limpeza Solubrillho

Em dezembro do ano passado, a Anvisa aplicou a sanção máxima, proibindo o comércio, a distribuição e o uso de todos os produtos de limpeza da marca Solubrillho, que atuava de forma clandestina.

A fiscalização apontou que o fabricante era completamente desconhecido, os rótulos não apresentavam CNPJ e o local de envase operava sem autorização de funcionamento, colocando em risco quem manipulava os produtos químicos em casa por falta de testes de segurança. Não houve defesa por parte da empresa, que nem sequer existia legalmente.

Linha de cosméticos Hemp Vegan

Em julho de 2025, a Anvisa determinou a proibição e o recolhimento de cosméticos fabricados pela Be Factory Laboratories da linha Hemp Vegan por não seguirem as normas rígidas de rotulagem do país. A lista incluiu itens como o “Magic LSD Máscara Capilar”, “PsiloGlow Lip Balm”, “Califórnia Drop Sérum” e “Alucina Creme Hidratante”.

Em resposta, a empresa partiu para o confronto direto com a interpretação técnica da agência reguladora. A fabricante publicou nota em que afirmou considerar a decisão da Anvisa “incorreta e desprovida de base técnica”, negando qualquer alusão a drogas psicotrópicas.

Segundo a Be Factory Laboratories, a palavra hemp (maconha, em inglês) era apenas o nome de uma marca devidamente registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) e representava a identidade visual da empresa, não significando que os cosméticos contivessem derivados de Cannabis sativa em sua composição química.

Já para a sigla LSD, a empresa alegou tratar-se de apenas um “uso criativo de siglas”, prática que seria comum na indústria da beleza. Naquele contexto, significaria “Liso, Solto e Desembaraçado”.

Os argumentos não foram aceitos, e a fabricante precisou criar uma nova identidade visual, trocar o nome dos produtos e submetê-los a um novo processo de notificação na Anvisa.

Produtos para unha

Em novembro do ano passado, seguindo padrões toxicológicos internacionais, a Anvisa publicou uma nova resolução (RDC 995), proibindo as substâncias químicas TPO e DMPT, compostos até então largamente utilizados em produtos para unhas e esmaltes em gel. A determinação foi feita a partir de estudos que atrelaram o DMPT a riscos cancerígenos e o TPO à toxicidade reprodutiva e que já haviam levado a restrições na União Europeia.

O setor argumentou que as formulações continham concentrações baixas e que o risco era predominantemente ocupacional para profissionais de salões de beleza, mas a autarquia manteve a decisão.

“O uso ocasional apresenta menor risco, mas o contato prolongado e ocupacional exige maior controle e eliminação da exposição”, afirmou a diretora relatora Daniela Marreco, fundamentando o veto. A agência concedeu 90 dias para as companhias promoverem o recolhimento dos estoques nas ruas. Encerrado o prazo, no início de 2026, todos os produtos que continham as substâncias tiveram os registros compulsoriamente cancelados.

Pomadas capilares

O mesmo rigor regulatório provocou uma mudança profunda e reestruturou o setor de modeladores capilares entre fevereiro de 2025 e 2026. Diante de centenas de ocorrências de lesões em córneas e inflamações oculares causadas por pomadas para cabelo que escorriam pelo rosto com o suor, a Anvisa endureceu a norma (RDC 814/2023) e promoveu o cancelamento do registro de mais de 1,2 mil produtos cujas empresas haviam utilizado processos de regularização simplificados.

Representantes da indústria queixaram-se das exigências acumuladas de recadastramento, que demandavam novos laudos, licenças sanitárias atualizadas e rotulagem extensiva. No entanto, os cancelamentos se mantiveram, as marcas reprovadas foram banidas em definitivo e o modelo de “notificação automática” para essa classe de cosméticos foi extinto, obrigando as fabricantes a passarem por um crivo analítico prévio que exige mais capital e prolonga o tempo de lançamento das mercadorias.

Autor: Gazeta do Povo

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