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O que é o transtorno de personalidade borderline? – 16/05/2026 – Equilíbrio

Na superfície, parecia que Antoinette Del Rio era uma jovem de 20 e poucos anos bem-sucedida. Ela tinha uma carreira florescente na publicidade, viajava com frequência e desfrutava de uma vida social ativa.

Mas Del Rio estava bebendo demais, usando maconha como mecanismo de enfrentamento e passando os fins de semana trancada em seu apartamento em Nova York. Ela também havia se endividado por gastos impulsivos e brigava frequentemente com os amigos.

Logo ela começou a notar um padrão preocupante em todos os seus relacionamentos: eles pareciam eufóricos ou devastadores, sem meio-termo. Um conflito pequeno podia fazê-la “explodir completamente sem pensar em nenhuma das consequências”, diz Del Rio, agora com 33 anos. Às vezes ela ficava tão irritada que arrancava os próprios cabelos ou cravava as unhas na pele “o mais forte possível”.

Em 2022, seu médico juntou todas as peças: Del Rio estava apresentando sintomas do transtorno de personalidade borderline, ou TPB, uma condição caracterizada por relacionamentos e emoções voláteis, além de comportamento imprudente e uma sensação de vazio interior.

O TPB é difícil de tratar efetivamente, o que pode “assustar muito os terapeutas”, diz Lois W. Choi-Kain, diretora do Instituto de Transtornos de Personalidade Gunderson no Hospital McLean em Massachusetts. Mas as pessoas podem —e conseguem— melhorar, acrescenta ela, mesmo aquelas com problemas adicionais como uso de substâncias e transtornos alimentares.

Choi-Kain diz que viu pessoas muito doentes desenvolverem habilidades para “se sentirem bem consigo mesmas e então conseguirem administrar um relacionamento de forma diferente”.

O que é uma personalidade borderline?

Profissionais de saúde mental definem como um padrão de instabilidade nos relacionamentos, autoimagem e emoções de uma pessoa.

Pessoas com TPB têm tendência a fazer coisas sem pensar, às vezes se envolvendo em atividades como sexo de risco, abuso de substâncias ou automutilação, o que frequentemente as leva ao tratamento.

Estima-se que o TPB afete 1,6% da população. Não é considerado raro pelos profissionais de saúde mental, mas o transtorno é frequentemente diagnosticado erroneamente no início porque alguns de seus sintomas podem ser confundidos com outras condições, como transtorno bipolar, depressão e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.

Essas condições também podem se sobrepor ao TPB, o que complica ainda mais o diagnóstico. Na verdade, em 1938, o TPB foi inicialmente descrito como “borderline” pelo psicanalista Adolph Stern porque faz fronteira com outras condições.

Quais são os sinais e sintomas?

Os sintomas do TPB podem incluir explosões inadequadas de raiva, sentimentos de vazio e esforços desesperados para evitar se sentir abandonado —por exemplo, buscando reasseguramento ou “testando” as pessoas para ver se elas vão ficar, diz Sara Masland, professora de ciência psicológica na Pomona College e especialista em transtornos de personalidade.

Outras características do TPB incluem relacionamentos voláteis, uma noção confusa de si mesmo, tendência à automutilação, imprudência e comportamento suicida. Estudos descobriram que até 10% das pessoas com TPB morreram por suicídio —um número muito maior do que o da população em geral.

Os pacientes devem ter pelo menos cinco sintomas para serem diagnosticados, de acordo com o manual diagnóstico usado pelos profissionais.

Uma das características definidoras é a hipersensibilidade —a maioria das pessoas oscila entre estar ansiosa ou com medo de ser criticada ou rejeitada, e irritada ou paranoica quando sente que as pessoas estão rejeitando-as, diz Choi-Kain.

Em um minuto o paciente pode se sentir bem, depois deprimido, depois intensamente irritado. Isso pode levar a relacionamentos cheios de conflito e desprovidos de paz, harmonia, consistência ou profundidade, diz Frank Yeomans, professor clínico de psiquiatria na Weill Cornell Medical College.

Quando as coisas parecem perfeitas, “você está no céu”, acrescenta Yeomans. Mas “assim que há qualquer falha no que era bom, você vai do céu ao inferno”.

Apesar do caos em seus relacionamentos pessoais, pessoas com TPB frequentemente acham difícil ficar sozinhas, dizem os especialistas. Isso ocorre em parte porque elas não têm uma noção de quem são independentemente de outras pessoas.

“Frequentemente, pessoas com TPB dependem excessivamente dos relacionamentos para entender quem são, e isso pode tornar a instabilidade do relacionamento ainda mais precária”, diz Masland.

Elas podem assumir as características das pessoas ao seu redor ou continuamente buscar validação dessas pessoas. Mas no fundo, podem se sentir vazias.

Como o TPB é tratado?

Antidepressivos e outros medicamentos podem tratar os sintomas, mas apenas a terapia chegará à raiz do problema, dizem os especialistas. Muitos pacientes se beneficiam de uma “renovação de vida”, não apenas para ajudá-los a voltar aos trilhos, mas também para “mudar seu conceito de si mesmos e seu relacionamento com outras pessoas”, diz Choi-Kain.

Nos Estados Unidos, a modalidade mais comum para tratar o TPB é a terapia comportamental dialética ou TCD, que se concentra em ajudar as pessoas a desenvolver atenção plena e habilidades práticas para gerenciar suas emoções.

Outros métodos baseados em evidências incluem o tratamento baseado em mentalização, um tipo de terapia que visa ajudar as pessoas a refletir realisticamente sobre o que acontece na mente delas mesmas ou de outros durante interações sociais; e a psicoterapia focada na transferência, que usa a dinâmica do relacionamento entre o terapeuta e o cliente para explorar como o cliente percebe os outros.

Além de terapia e medicação, grupos de apoio podem ser úteis. Del Rio, que deixou seu emprego estressante na publicidade, atua como diretora executiva interina da organização sem fins lucrativos Emotions Matter, que oferece grupos de apoio conduzidos por pares para pessoas com TPB.

Aos 20 e poucos, Del Rio não via uma saída para seus sintomas. “Eu sentia que estava me afogando e não sabia como pedir ajuda.”

Mas ao participar de sessões individuais e em grupo de TCD por cerca de um ano, ela aprendeu “a reconhecer esses padrões emocionais e se comunicar mais diretamente”.

Durante a terapia, ela trabalhou no fortalecimento de suas habilidades de relacionamento interpessoal, o que a aproximou de seu marido. “A paciência do meu marido e sua disposição de aprender junto comigo fizeram uma diferença maior do que posso expressar em palavras”, diz. “Nem sempre facilitei as coisas, e ele apareceu mesmo assim.”

Autor: Folha

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