Apresentado como treinador do Brasil em maio de 2025, Carlo Ancelotti disse estar à frente da “melhor seleção do mundo”. Um ano depois, vai divulgar os nomes dos jogadores nos quais aposta para concretizar sua avaliação.
O italiano anunciará na tarde desta segunda-feira (18) os 26 convocados para defender o time verde-amarelo na Copa do Mundo de 2026, a ser realizada nos Estados Unidos, no México e no Canadá. A lista será conhecida em evento marcado para as 17h, no Museu do Amanhã, na região central do Rio de Janeiro —Globo, SBT, SporTV, ESPN, CNN, CBF TV, ge tv e CazéTV vão transmitir.
“O que os jogadores e o futebol brasileiro não podem perder é sua maior qualidade: criatividade, alegria e energia”, declarou Ancelotti, que, nos 12 meses desde sua contratação pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol), fez um esforço para aproximar-se da cultura brasileira.
Patrocinado por uma marca de cerveja, esteve no sambódromo da avenida Marquês de Sapucaí para acompanhar os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro no Carnaval deste ano. E disse ter visto ali o caminho para o hexacampeonato.
“Notei muita alegria, muita energia, porque as pessoas dançam até o sol nascer, mas também um grande comprometimento de todos em uma festa popular da qual todos se sentem parte”, afirmou o técnico, apresentando a arquitetura de sua equipe: organização tática coletiva e liberdade individual para a ginga.
“Se você assistir ao desfile aqui no Rio, vai ver que tudo é perfeitamente organizado —o ritmo, a música, tudo é perfeito. Quero trazer para a seleção essas características do povo brasileiro. Alegria, energia, organização, comprometimento e atitude”, acrescentou.
Ainda é muito breve a experiência de Ancelotti à frente do time nacional. Dono de um excepcional currículo, com múltiplas glórias no futebol de clubes, o técnico de 66 anos teve apenas dez jogos (cinco vitórias, dois empates e três derrotas) na seleção até a definição dos convocados. Apesar disso, é alta a expectativa criada pelo próprio profissional, que, em conversas com pessoas próximas, manifesta convicção em relação ao sucesso na América do Norte.
Os dirigentes da CBF estão convencidos de sua competência a ponto de já estar acertada a renovação do contrato até a Copa do Mundo de 2030. O anúncio foi feito na última quinta-feira (14). Agora é hora de outro anúncio, bastante aguardado.
A esta altura, está clara boa parte da lista elaborada pelo italiano. Com base nos chamados anteriores, nas entrevistas do treinador e nas conversas nos corredores da CBF, parece haver margem para dúvida no meio-campo e no ataque, com três vagas em disputa.
Nesse cenário, 23 atletas têm suas vagas asseguradas ou praticamente asseguradas. A situação está bem desenhada no gol —embora Hugo Souza, 27, do Corinthians, alimente a esperança de tirar a vaga de Bento, 26, do Al Nassr— e na defesa —que não terá Éder Militão, 28, do Real Madrid, lesionado.
No meio-campo, Lucas Paquetá, 28, que não esteve na última convocação, ganhou força na reta final com seu desempenho no Flamengo. Ele passou a ameaçar Andrey Santos, 22, do Chelsea, pela quinta vaga no setor —muito provavelmente estarão na lista Casemiro, 34, Bruno Guimarães, 28, Fabinho, 32, e Danilo Santos, 25.
Já no ataque, a disputa ficou mais aberta após a grave lesão de Estêvão, 19, do Chelsea, que está fora da Copa —Rodrygo, 25, do Real Madrid, é outro retirado da briga por problemas físicos. Ancelotti pretende levar nove atacantes aos Estados Unidos, com sete deles, ao que tudo indica, seguros na lista.
São eles Vinicius Junior, 25, Raphinha, 29, Matheus Cunha, 26, Luiz Henrique, 25, Martinelli, 24, Endrick, 19, e Igor Thiago, 24. João Pedro, 24, do Chelsea, já esteve mais garantido, mas passou a sofrer concorrência forte de Rayan, 19, do Bournemouth, e Pedro, 28, do Flamengo.
São, portanto, duas vagas para três jogadores de frente. Ou seriam quatro?
Há, claro, aqueles que defendem Neymar.
O atacante de 34 anos não foi chamado nenhuma vez desde a chegada de Carletto. Ainda assim, o italiano não conseguiu conceder nenhuma entrevista sem ter de responder sobre o veterano, grande referência do Brasil nos Mundiais de 2014, 2018 e 2022.
O atleta teve graves problemas físicos e pouco esteve em campo desde a última Copa. Seu retorno ao Santos no início do ano passado para recuperar a alegria, a forma e o futebol renderam até aqui resultados decepcionantes, com novas lesões, críticas ao comportamento fora de campo, um tapa na cara de um companheiro de 18 anos e alguns momentos de bom futebol.
De abril para cá, no entanto, o velho craque conseguiu uma sequência razoável de partidas —disputou nove jogos em um mês e meio, com três gols e duas assistências (ATÉ O JOGO DE DOMINGO, QUE SERÁ O DÉCIMO EM UM MÊS E MEIO; ATUALIZAR). Foi o suficiente para que sua convocação, antes descartada, passasse ao menos a ser discutida.
Ancelotti é sempre simpático quando indagado sobre o atleta. Elogia sua capacidade técnica e afirma que sua presença na seleção depende “solamente” das condições físicas. Pouco depois das 17h de segunda-feira, saberemos se a evolução recente convenceu o treinador.
“Neymar é um jogador importante para este país por causa do talento que sempre demonstrou. Mas ele teve problemas e está trabalhando para se recuperar. Obviamente, não é uma decisão fácil para mim. Temos que pesar os prós e os contras com cuidado”, disse o italiano nesta semana.
Os ouvidos estarão atentos até que o treinador cite os 26 nomes no Museu do Amanhã. Se o do camisa 10 do Santos não for dito até ali, certamente será bastante pronunciado na entrevista coletiva subsequente.
Autor: Folha








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