O empresário mineiro Salim Mattar, fundador da Localiza, consolidou sua trajetória como um dos maiores defensores da liberdade econômica no Brasil. Unindo prática empresarial e convicções intelectuais, ele tenta transformar o país por meio da desestatização e da formação de novos líderes.
Como começou a trajetória de sucesso da Localiza?
Tudo começou em 1973, em Belo Horizonte, com apenas seis Fuscas usados e financiados. Mesmo diante da crise mundial do petróleo, que encarecia os combustíveis, Salim Mattar e seu sócio apostaram no negócio. Eles faziam de tudo: dirigiam, lavavam os carros e até dormiam no escritório. A estratégia foi crescer onde a concorrência era menor, o que permitiu que a empresa se tornasse líder nacional em menos de uma década.
O que moldou o pensamento liberal de Salim Mattar?
A semente foi plantada na adolescência. Aos 16 anos, ele leu Adam Smith e, aos 17, Friedrich Hayek, autores fundamentais do liberalismo (ideologia que defende a liberdade individual e a pouca intervenção do governo na economia). Para Salim, o Estado grande gera pobreza, enquanto o empreendedorismo é a ferramenta real para criar riqueza e protagonismo na sociedade.
Qual foi o principal insight para a expansão da companhia?
Salim sempre teve o instinto de transformar problemas em lucro. Um exemplo clássico foi a criação da divisão de seminovos. Em vez de vender os carros usados da frota para lojistas, a Localiza passou a vendê-los diretamente ao consumidor final. Com isso, ela eliminou intermediários e capturou toda a margem de lucro da operação, transformando o que era um custo de renovação de frota em uma engrenagem vital para o negócio.
Por que a passagem dele pelo governo federal foi marcada por frustração?
Em 2019, ele assumiu a Secretaria de Desestatização a convite de Paulo Guedes. Sua missão era vender estatais e reduzir o tamanho do governo. No entanto, Salim se deparou com o que chama de ‘Leviatã burocrático’: um sistema travado e feito para não funcionar. Ele saiu do cargo em 2020, decepcionado pela impossibilidade de privatizar gigantes como a Petrobras, os Correios e os bancos públicos.
Qual é o foco atual do empresário para mudar o Brasil?
Após deixar a vida pública, Salim decidiu focar na ‘batalha das ideias’. Ele acredita que a verdadeira transformação do país não vem da política eleitoral, mas da cultura e da educação. Por isso, investe em institutos que formam jovens lideranças, acreditando que, no longo prazo, pessoas preparadas e convencidas dos valores da liberdade econômica chegarão ao poder para implementar as mudanças necessárias.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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Autor: Gazeta do Povo




















