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Contrarregra eleitoral

Por Talita Nascimento

Pré-candidato à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva parece estar à vontade em nova campanha: sabe a importância de tirar fotos com as pessoas certas e com seus melhores ângulos, orienta colegas de palco a falar olhando para as câmeras e até interfere na produção do cenário.

Em um evento em Campinas, interior de São Paulo, por exemplo, ele se mostrava disposto a ajudar a coordenar a apresentação. Logo na fala de abertura para a inauguração de quatro novas linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), o presidente interrompeu a fala do diretor-geral da instituição, Antonio José Roque da Silva, para lembrá-lo de falar olhando para as câmeras da imprensa.

Os repórteres estavam exatamente à sua frente, mas Roque insistia em fazer seu discurso olhando para Lula, que aguardava seu momento de fala um passo atrás da tribuna, ao lado de outras autoridades.

Tamanha foi a interferência do presidente, que decidiram arrastar a tribuna para o centro do cenário, de forma que o diretor não se sentisse tentado a olhar na diagonal para o chefe do Executivo. Dali em diante, Lula se portou como produtor do evento, chamando as autoridades para tirar fotos com apertos de mão, mostrando onde cada um deveria se posicionar e lembrando os companheiros, sempre, de olhar para as câmeras.

Em um dado momento, ele próprio ajudou a carregar para trás do telão a placa alusiva à inauguração das linhas, para deixar o espaço mais livre, talvez pensando, mais uma vez, na fotografia.

Na segunda parte do dia, já em Paulínia, o presidente não se esqueceu da mídia. Desta vez, decidiu focar nas câmeras dos celulares dos trabalhadores da Petrobras que acompanhavam o anúncio de investimentos da empresa de R$ 37 bilhões no Estado de São Paulo, até 2030. Ao perceber que tinha ali uma plateia que pedia sua atenção e reagia bem ao seu discurso, ele falava diretamente aos vídeos amadores, enquanto os funcionários de macacão laranja festejavam a interação.

Ali, ele mesmo virou as costas às câmeras das TVs para falar a um amigo do sindicato dos petroleiros em tom de brincadeira, comentando que o companheiro é mais novo do que ele, na casa dos 70 anos, e já estava usando bengala.

“Eu vou viver até os 120 anos”, disse, detalhando ainda ter dito a Deus que pode passar a vaga dele para frente, pois não está interessado em partir agora, aos 81. Energia, de fato, não lhe faltou naquela segunda-feira.

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